Diretor-geral da OMS apela a Adis Abeba para garantir livre acesso humanitário a Tigray

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O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou hoje às autoridades etíopes para assegurarem o livre acesso humanitário a Tigray, numa mensagem a favor da sua região natal, palco de guerra com Adis Abeba há quase um ano.

“Como etíope oriundo do Tigray [no norte da Etiópia], esta crise afeta-me pessoalmente, mas hoje falo como diretor-geral da Organização Mundial de Saúde”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa em Genebra sobre a pandemia de covid-19.

“Em Tigray, mais de 90% da população necessita de ajuda alimentar e cerca de 400.000 pessoas sofrem de fome”, disse Tedros, citando números da Organização das Nações Unidas.

As taxas de malnutrição graves estão a atingir o nível observado no início da grande fome na Somália em 2011, sublinhou.

Ghebreyesus reproduz com frequência nas redes sociais, sobretudo no Twitter, muita informação sobre o conflito no norte da Etiópia, palco de combates violentos desde 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviou o Exército federal para retirar do poder e deter as forças estaduais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF).

A TPLF enfrentou a autoridade de Adis Abeba, por diversas vezes, desde que o chefe do Governo etíope assumiu os destinos do país em abril de 2018.

O diretor-geral da OMS foi ministro da Saúde na Etiópia entre 2005 e 2012, num período em que o poder em Adis Abeba era controlado pela TPLF, e o atual Governo considera-o um opositor, continuamente alinhado com o partido que foi despojado do controlo da federação etíope e remetido à liderança do estado do Tigray desde a primeira tomada de posse de Abiy Ahmed.

As Nações Unidas consideram que o estado de Tigray se encontra sob um “bloqueio ‘de facto’ da ajuda humanitária”. As autoridades etíopes e as forças estaduais lideradas pela TPLF acusam-se mutuamente de obstrução à prestação de ajuda e da responsabilidade na escalada das mortes por fome.

Em Tigray, poucas instalações de saúde permanecem operacionais, devido à falta de combustível e equipamento médico, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, denunciando a morte de pessoas com doenças crónicas, privadas de alimentos e medicamentos. “Quando as pessoas não têm comida suficiente, são mais suscetíveis a doenças mortais, bem como à ameaça de fome”, salientou.

Ghebreyesus prometeu que a OMS fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar a província onde nasceu, mas insistiu no acesso sem entraves ao Tigray, “porque estão em jogo milhões de vidas”.

Lusa

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