Luta pela sobrevivência leva três crianças a prisão involuntária

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Já é habitual vermos pela cidade de Luanda crianças a pedirem esmolas nos pontos de entrada de lojas, nas interseções e nos semáforos. Também é frequente vermos crianças, assim como adultos, a rolarem pela cidade a recolher garrafas de plástico, latas de bebidas e ferro-velho para vender e ganhar o pão de cada dia. Um cenário ainda mais frequente, com qual já nos habituamos também, é vermos grupos de jovens adolescentes sentados o dia todo, em qualquer local onde haja um contentor de lixo, à espera de qualquer coisa de jeito para apanhar ou para comer.

Multidão olhando para o esgoto onde foram visto três crianças presas
na Avenida 21 de Janeiro

Nesta quinta-feira (2), quem passou, entre 14:00 e 17:00 horas, pela Avenida 21 de Janeiro, pouco antes do viaduto do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, certamente avistou uma grande multidão junto à estrada, todos com os olhos postos a um buraco.

Segundo testemunhas, tês crianças que procuravam latas para vender tinham ficado presas no esgoto que saí da 21 de Janeiro e desagua no Cassequel.

Uma equipa de bombeiros com duas viaturas, uma PSP e outra de intervenção rápida, foi despachada para o local. Um bombeiro foi introduzido no esgoto, mas não encontrou nenhum vestígio das crianças. Segundo populares ali aglomerados que falaram ao Guardião, os meninos que tinham passado quase a tarde toda presos no esgoto já haviam regressado ao ponto de entrada, isto no Cassequel onde o esgoto desagua.

Uma das testemunhas que falou ao Guardião, disse que durante o tempo em que as três crianças ali estavam, elas foram assistidas por populares, lhes foi dado bolachas e água para beber.

“Elas estavam a falar e a rir”, contou uma senhora.

Depois da vã tentativa de encontrar e retirar as crianças do esgoto, segundo revelou a TVZimbo, os bombeiros dirigiram-se para o ponto de saída do esgoto, mas também não encontraram vestígios das crianças.

A situação avançada de pobreza em Angola tem levado à rua centenas de crianças que por meios próprios tentam encontrar o seu sustento.

Governo está sem planos

O filósofo e pedagogo José Candeeiro, em entrevista à Voz da América, disse julho último que “governo angolano está sem planos para o crescimento multidimensional e multifacético das crianças, razão pela qual não se veem programas exequíveis que demonstram sinais de resgate e instrução de criança para garantir o seu crescimento e desenvolvimento a todos os níveis”.

Candeeiro criticou igualmente a falta de ação do Executivo angolano em relação aos 11 Compromissos da criança, ratificado por Angola.

Um investimento sério no combate contra fome e a pobreza pode concorrer para solução do problema, disse o jurista e docente Mbote André, na altura, à VOA, apelando para uma tomada de posição mais eficaz das autoridades em relação à situação por que passam os menores em Angola.

“A criança de hoje será o adulto de amanhã. E se hoje não protegermos as nossas crianças, estamos a comprometer o futuro de Angola e não só. Devíamos criar instituições fortes para educação das crianças e, por outro lado, cumprir com o que diz a legislação”.

O dever de lutar pelo bem-estar das crianças é de todos, diz José Candeeiro, que apela o envolvimento de todas forças vivas da sociedade angolana a fim de se puder mudar o actual cenário nas ruas do país, onde cresce a presença de crianças desamparadas e remetidas ao abandono total.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.