Íntegra do discurso do Presidente João Lourenço na Guiné

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Íntegra do discurso do Presidente da República, João Lourenço, proferido, esta sexta-feira, durante a visita de Estado à República da Guiné.

– Sua Excelência Alpha Condé, Presidente da República da Guiné 

– Excelentíssimos senhores Ministros 

– Distintos Membros das Delegações  

– Minhas senhoras e meus senhores 

Permita-me saudar Vossa Excelência, em nome da delegação que me acompanha, e exprimir a minha satisfação pelo convite que me foi endereçado para visitar esta tão importante nação do continente africano. 

Constitui para mim uma grande honra poder dirigir-me a Vossa Excelência, nesta que é a minha primeira visita oficial à República da Guiné, na condição de Presidente da República de Angola. 

Esta visita, que considero necessária e incontornável, obriga-nos a recordar a importância histórica que constituiu para o meu país o relevante apoio dado pela vossa nação, durante todo o processo que levou à Independência de Angola, factor imprescindível para que o povo angolano pudesse começar a trilhar o caminho para a construção de uma nação próspera e importante no concerto das nações. 

Neste âmbito, devo reconhecer e agradecer o contributo dado por valorosos filhos desta pátria que, desde os tempos do saudoso Presidente Ahmed Sékou Touré, não pouparam esforços vertendo o seu sangue em prol da conquista do grande sonho de liberdade para o povo irmão angolano. 

Quero exaltar esta demonstração de amizade e de solidariedade, que pretendemos que se tornem cada vez mais sólidas com a minha visita ao Vosso país e com outras acções de âmbito diplomático e da cooperação económica, que seguramente se irão desenvolver de forma intensa e continuada entre os nossos dois países.   

Devo reconhecer que, não obstante as relações de amizade entre os nossos dois povos terem iniciado desde os primórdios da luta pela Independência de Angola, poucas iniciativas foram desenvolvidas desde aquela data, tendentes ao estreitamento da relação de cooperação entre os nossos dois países. 

Gostaria de destacar a visita de Estado que Vossa Excelência efectuou ao meu país, em Janeiro de 2011, que foi determinante para que, no mesmo ano, os nossos dois países pudessem assinar o Acordo Geral de Amizade e de Cooperação Económica, Científica e Técnica, em Conacri; a criação da Comissão Mista Intergovernamental e a assinatura do Acordo de Cooperação entre Angola e a Guiné, no domínio da Geologia e Minas, em Luanda. 

Uma série de outros compromissos foram assumidos nessa altura, nos ramos político-diplomático, petróleo e gás, defesa e segurança, transportes, geologia e minas, que devemos retomá-los e fazer deles a principal alavanca impulsionadora da promoção da cooperação económica e do intercâmbio empresarial entre Angola e a Guiné.  

Este desejo recíproco está ao nosso alcance, pois podemos contar não só com os nossos vastos recursos, mas também e sobretudo com o engenho dos nossos povos e com o dinamismo de líderes como Vossa Excelência, no sentido de realizarmos acções capazes de alterar este quadro letárgico que existiu nas nossas relações.  

Em face do que acabei de referir, considero que o nosso encontro representa uma grande oportunidade para abordarmos com franqueza a melhor forma de impulsionarmos, com sentido prático, todas as iniciativas antes mencionadas, que visam tornar a nossa cooperação cada vez mais ampla e diversificada. 

Senhor Presidente 

Excelências, 

Foi com profunda emoção que recebi das mãos de Vossa Excelência, Presidente Alpha Condé, a Grã-Cruz da Ordem Nacional da República da Guiné.

Agradeço, em meu nome e em nome do povo angolano, tão elevada distinção, criada há mais de seis décadas por um dos Pais Fundadores das Independências africanas, o Presidente Ahmed Sekou Touré.

Tenho consciência de que, mais do que à minha humilde pessoa, esta honra é concedida ao heróico povo angolano, que mantém com o povo da República da Guiné profundos laços de amizade, solidariedade e cooperação, nunca desmentidos nos momentos mais dramáticos da nossa história comum. 

Prova disso é que, mesmo antes da Independência de Angola, esta Medalha já fora concedida, em 1973, ao Presidente António Agostinho Neto, num momento em que o apoio internacional ao movimento de libertação nacional representava um poderoso estímulo aos combatentes pela liberdade. 

Sou, pois, portador de uma especial saudação do povo angolano ao povo irmão guineense, na esperança de que se reforcem ainda mais os laços que nos unem. 

Reitero os meus agradecimentos pela honra que me foi conferida e também pelo caloroso acolhimento e hospitalidade da parte de Vossa Excelência, das autoridades e do povo da República da Guiné. 

O mundo tem-se deparado com a maior crise sanitária dos últimos cem anos, que tem colocado à prova os nossos sistemas de saúde, bem como as nossas economias, devido a rápida propagação da Covid-19 e as restrições que somos obrigados a aplicar, para reduzir ao máximo possível os danos que pode provocar à saúde humana e às nossas economias. 

O nosso continente só poderá vencer a pandemia da Covid-19 se houver a união de esforços entre todos os países africanos, no sentido de melhor explorarmos os mecanismos de acesso às vacinas, que injustamente não estão ao nosso alcance. 

Gostaria igualmente de aproveitar esta tribuna para apelar à liberalização das patentes das vacinas contra o novo coronavírus, permitindo, com isso, o aumento da sua produção, a redução de preços e a consequente diminuição das desigualdades no acesso às vacinas, por parte dos países menos desenvolvidos como os nossos, que mais uma vez são tratados de forma desigual.  

Senhor Presidente,

Excelências, 

A situação de segurança em África nos últimos tempos não tem evoluído tão positivamente quanto seria desejável. Algumas iniciativas vão-se desenvolvendo no sentido de se inverter esta tendência e se encontrarem os mecanismos necessários à sua resolução.  

Realço, nesta perspectiva, outros factos importantes como a realização de eleições de forma pacífica, em alguns pontos do nosso continente com historial de conflitos pós-eleitoral, facto que reforça a esperança e a ideia de que a África despertou para a necessidade da construção da estabilidade e da segurança, como factores incontornáveis para assegurar a concretização dos nossos grandes objectivos de redução da pobreza e de construção do bem-estar e prosperidade dos nossos povos.

É importante que continuemos a trabalhar de forma unida e conjugada, no sentido de construirmos um continente livre de conflitos armados, de destruição e deslocações forçadas das suas populações.

Considero fundamental a adopção de formas de governação cada vez mais participativas, inclusivas e genuinamente africanas, de modo a contribuir para a promoção de uma cultura africana de paz, de justiça e de respeito pelos princípios dos direitos humanos. 

Gostaria de terminar agradecendo o acolhimento cordial que me foi reservado e à delegação que me acompanha, desde a nossa chegada ao Vosso país, que traduz a expressão das relações históricas de amizade e de solidariedade existentes entre a República de Angola e a República da Guiné. 

Muito obrigado!

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