Amnistia alerta para milhões de pessoas em risco de vida no sul de Angola devido à seca

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Milhões de pessoas estão em risco de vida e muitas já abandonaram as suas casas no sul de Angola devido à seca agravada pelas alterações climáticas que está a devastar aquela região, alertou quarta-feira a Amnistia Internacional.

A organização humanitária referiu que a criação de fazendas para o comércio de gado em terras comunitárias expulsou comunidades pastorícias das suas terras desde o final da guerra civil, em 2002, o que causou em grande parte da população insegurança alimentar.

Esta insegurança abriu caminho para uma crise humanitária, devido à seca extrema que dura há mais de três anos e à medida que a comida e a água são mais escassas milhares de pessoas já deixaram as suas casas à procura de refúgio na vizinha Namíbia, destacou a organização, em comunicado.

“Milhões de pessoas no sul de Angola estão à beira da fome, presas entre os efeitos devastadores das mudanças climáticas e desvio de terras para a pecuária comercial”, sublinhou o diretor da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena.

O responsável frisou que a pior seca em 40 anos “atingiu comunidades tradicionais que lutavam para sobreviver desde que foram desalojadas de vastas áreas de pastagem”.

“O Governo angolano deve assumir a responsabilidade pelo seu próprio papel nesta terrível situação, garantir soluções às comunidades afetadas e tomar medidas imediatas para resolver a insegurança alimentar nas áreas rurais das províncias do Cunene e Huíla”, atirou.

Em 2019, a Amnistia Internacional já tinha alertado que o Governo angolano tinha desviado pastagens comunitárias naquelas regiões para criadores de gado comerciais, o que impede o acesso a pastagens de qualidade e, portanto, mina a resiliência económica e social das comunidades pastorícias e a sua capacidade de produzir alimentos e sobreviver às secas.

De acordo com o Governo, 67% das pastagens no município de Gambos estão ocupadas por criadores comerciais de gado.

Segundo a organização não governamental (ONG) Associação Construindo Comunidades (ACC), que distribui cabazes naquela região, famílias de pastores tradicionais do município de Gambos, província de Huíla, estão a passar fome.

E acrescentou que dezenas de pessoas morreram de desnutrição desde 2019, maioritariamente idosos e crianças vulneráveis, e que as pessoas estão a recorrer ao consumo de folhas para sobreviverem.

Os angolanos das províncias do Cunene e Huíla têm sido especialmente atingidos pela persistente seca, depois da época de chuva de 2020/2021 ter sido anormalmente seca, o que significa que a situação deverá piorar nos próximos meses.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a falta de chuva entre novembro de 2020 a janeiro de 2021 resultou na pior seca dos últimos 40 anos.

 As autoridades da Namíbia registaram um total de 894 angolanos nas regiões de Omusati e Kunene em março de 2021, após os relatos de um grande número de famílias pastorícias das províncias de Huíla e Cunene que abandonaram as suas casas à procuram de refugiu no norte do país vizinho.

Em maio de 2021, ONG’s angolanas relataram que mais de sete mil angolanos, principalmente mulheres com filhos, tinham fugido para a Namíbia, e que o número ainda estava a aumentar.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) referiu que “a frequência e intensidade das secas aumentou em algumas regiões”, incluindo na África Austral desde os níveis pré-industriais devido ao aquecimento global e que “a frequência e intensidade das secas estão projetadas para aumentar particularmente na região do Mediterrâneo e na África Austral”.

Em maio de 2021, o Programa Alimentar Mundial (PAM) estimava que seis milhões de pessoas em Angola tinham alimentos insuficientes, principalmente no sul do país e que mais de 15 milhões utilizavam estratégias de sobrevivência baseadas em crises ou emergências, como economizar ou reduzir despesas não alimentares.

A Amnistia Internacional apelou ainda, no comunicado, às autoridades angolanas e à comunidade internacional para intensificarem os seus esforços de socorro, incluindo o fornecimento de assistência alimentar de emergência sustentada e regular e acesso a água limpa e segura para uso doméstico e consumo nas áreas rurais das províncias do Cunene e Huíla.

“A situação no sul de Angola é um aviso gritante de que as mudanças climáticas já estão a causar sofrimento e morte. A comunidade internacional, especialmente os estados mais ricos e os maiores responsáveis ??pela crise climática, deve tomar medidas imediatas para cumprir as suas obrigações de direitos humanos”, sublinhou Deprose Muchena.

Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.