Prisão do Zuma é teste para democracia sul-africana

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Envolvido numa série de escândalos de corrupção, o ex-presidente sul-africano Jacob Zuma passou a sua primeira noite na prisão, um evento sem precedentes na África do Sul e que coloca à prova as instituições da sua jovem democracia.

Após vários dias de suspense, e para espanto geral, o carismático e polémico Zuma se rendeu.

Zuma ganhou notoriedade ao lado de Nelson Mandela – quando ambos estavam na prisão – antes de se tornar o temido chefe de Inteligência do Congresso Nacional Africano (CNA) no exílio, na época do Apartheid.

“O presidente teflon”, como o chamam os seus críticos por sempre escapar da Justiça, manteve o país em suspense até a meia-noite de quarta-feira, quando se cumpriu o ultimato imposto à sua prisão.

Zuma, de 79 anos, foi condenado na semana passada pelo Tribunal Constitucional a 15 meses de prisão por se recusar a testemunhar perante a comissão que investiga a grande corrupção no país.

A sua prisão marca um momento histórico para a África, pois é a primeira vez que um ex-governante é preso por se recusar a responder num inquérito sobre corrupção.

Zuma montou uma defesa de última hora e se recusou a se entregar na noite de domingo, como o tribunal ordenou.

De acordo com a decisão, a polícia tinha três dias para prendê-lo, caso ele não se entregasse.

– Corrupção e nepotismo –

Após nove anos no cargo, Zuma deixou o poder à força em 2018 e foi substituído por Cyril Ramaphosa. O seu mandato foi marcado por escândalos de corrupção e de nepotismo.

Muitos sul-africanos saudaram a prisão de Zuma, que pode marcar uma nova era de fortalecimento do Estado de direito.

“Ninguém está acima da lei” repetiram, como um mantra, várias testemunhas e personalidades em canais de televisão nos últimos dias.

A ícone anticorrupção Thuli Madonsela saudou “um dia de glória, pois” a prisão de Zuma “demonstra que o Estado de direito prevalece”.

Se o ex-presidente não tivesse ido para a prisão, “isso teria causado uma onda de choque no sistema”, comentou Mandonsela, em declaração à televisão pública nesta quinta-feira.

As autoridades criminais confirmaram que Zuma “foi admitido para começar a cumprir a sua pena de 15 meses no Centro Correcional de Estcourt”, na sua província natal de KwaZulu-Natal.

Horas antes de se entregar, a polícia avisou que estava preparada para prender Zuma à meia-noite.

O ex-presidente passou dez anos na prisão da Robben Island junto com Nelson Mandela, durante a era do Apartheid.

Ontem, os seus defensores enviaram uma carta ao tribunal, pedindo um adiamento de última hora, o que não aconteceu.

O ex-presidente também pediu ao Tribunal Constitucional que reconsiderasse a ordem de prisão, solicitação que será analisada na próxima segunda-feira (12).

O ex-presidente continua a ter um peso importante entre autoridades e membros do governo.

No fim de semana, disse a seus apoiantes que haveria um caos, se a polícia “ousasse” prendê-lo.

Nascido numa comunidade rural onde não recebeu educação formal, ele tornou-se num dos líderes do ANC durante a luta contra o Apartheid.

Apesar das tensões internas, o ANC disse que não interferiria no processo judicial de Zuma.

Zuma também foi acusado de participar de um caso de suborno há mais de 20 anos.

Ele enfrenta 16 acusações de fraude, corrupção e crime organizado pela compra, em 1999, de jatos de combate, barcos de patrulha e equipamento militar a cinco empresas europeias por milhões de dólares.

AFP

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.