Ataque a mercado etíope deixa 64 mortos e 180 feridos

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Pelo menos 64 pessoas morreram e 180 ficaram feridas num ataque aéreo de forças governamentais contra um mercado na localidade de Togoga, na região do Tigray – informou uma autoridade regional da saúde à AFP nesta quinta-feira (24).

O ataque ocorreu na terça-feira. No dia seguinte, os sobreviventes puderam deixar o local situado 30 quilômetros a noroeste da capital regional, Mekele, e descreveram o massacre no mercado lotado.

“Até agora, há 64 mortos e 180 feridos em Togoga. O ataque aéreo foi contra um mercado e, portanto, há muitas, mas muitas pessoas feridas”, afirmou Mulu Atsbaha, conselheiro encarregado de saúde infantil e materna no governo regional.

A ONU, assim como os Estados Unidos e a União Europeia (UE), condenaram o atentado e pediram por uma “investigação rápida” do ataque e das ações “que privaram as vítimas de cuidados médicos”.

Este balanço provisório foi elaborado com informações reunidas “por líderes locais e pela população de Togoga”, acrescentou Atsbaha, membro da administração regional estabelecida pelo governo federal em Addis Abeba, após uma operação militar em novembro passado contra as autoridades regionais dissidentes da Frente de Libertação Popular de Tigray (TPLF).

A operação se transformou num conflito que já dura mais de sete meses, marcado por inúmeros relatos de abusos contra a população civil.

O ataque ocorreu um dia depois das eleições nacionais, que não aconteceram no Tigray.

– “Propaganda” –

O porta-voz do Exército etíope, coronel Getnet Adane, declarou à AFP nesta quinta-feira que as forças federais lançaram, de fato, uma “operação” na aldeia de Togoga na terça (22). Ele ressaltou, no entanto, que se dirigia exclusivamente aos combatentes leais às antigas autoridades regionais.

Segundo o coronel Adane, a operação foi lançada contra os combatentes concentrados em Togoga “para celebrar o que chamam de festa dos mártires”. Nela, relembram o bombardeamento sofrido pela localidade de Hawzen, no Tigray, em 22 de junho de 1988 durante a guerra civil.

A organização é alvo de acusações.

“Não é possível esses (rebeldes) dançarem armados para celebrar o chamado Dia dos Mártires e, ao mesmo tempo, se chamarem de civis quando são alvo de uma operação militar. Isso é inaceitável”, completou.

“Vincular esta operação ao dia do mercado (…) é pura propaganda”, acrescentou o porta-voz, para quem “está claro que os últimos combatentes da TPLF e suas milícias estão vestidos com roupas civis”.

O exército etíope também é acusado de impedir o acesso de socorristas a Togoga e de não permitir que os feridos fossem encaminhados ao hospital de Mekele.

Vários motoristas de ambulâncias indicaram que os soldados os impediram de ir a Togoga desde terça-feira.

Apenas algumas ambulâncias foram autorizadas. Um total de 73 feridos, entre eles várias crianças, chegaram a Mekele na tarde de quinta-feira, disseram fontes médicas.

Um médico informou à AFP esta quinta-feira que funcionários de um hospital na capital regional realizaram amputações e trataram queimaduras e feridas típicas de um bombardeamento.

“Ainda há muitas pessoas nos escombros”, explicou Tsigabu Gebretinsae, ao chegar a Mekele na noite de quarta-feira. Seu filho de 22 anos morreu e sua filha de 12 teve uma mão amputada.

– Avião derrubado –

Ao denunciar um “ataque gratuito” do exército etíope, o porta-voz do Comando Central do Tigray, Getachew Reda, tuitou na noite de quarta-feira que as forças pró-TPLF derrubaram um avião “que carregava explosivos e munições”.

Os conflitos já duram mais de sete meses em Tigray entre as forças pró-TPLF e o exército etíope, apoiados por tropas da vizinha Eritreia.

O conflito, de acordo com a ONU, levou 350.000 pessoas à beira da fome e milhões a abandonar suas casas, algo que o governo etíope nega.

Nos últimos dias, autoridades locais, residentes e diplomatas relataram à AFP um aumento na atividade militar em torno das cidades estratégicas de Adigrat e Wukro.

Na manhã desta quinta-feira, os moradores relataram bombardeamentos ao norte de Mekele.

AFP

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