26 economistas entregam a Macron 500 páginas de reflexão sobre pós-covid

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Uma comissão de economistas, mandatada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para refletir sobre os desafios da economia pós-covid entregou hoje as suas propostas, preconizando designadamente um reforço do mercado europeu de carbono.

Dirigida por Jean Tirole, Prémio Nobel da Economia, e Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, esta comissão de 26 economistas, franceses e estrangeiros, focou-se na luta contra a crise climática, as desigualdades e a adaptação ao envelhecimento da população.

Concebido como uma “caixa de ferramentas”, o relatório de 500 páginas concentra-se nos problemas franceses.

Mas, em relação ao problema climático, defende uma abordagem europeia.

Uma tarificação do carbono ambiciosa é “indispensável”, na opinião dos autores do documento.

É preciso um preço do carbono “universal”, que “incite todos os agentes económicos a esforçarem-se, em particular os que têm a capacidade de inovarem”, realçou Christian Gollier, da Toulouse School of Economics, coautor do relatório, na parte relativa à crise climática.

Mais do que uma taxa, os economistas propõem o reforço do sistema europeu de mercado das quotas de carbono, incluindo nomeadamente os setores que hoje estão excluídos, como a habitação e os transportes, e um preço mínimo e outro máximo, que aumentariam progressivamente cinco por cento ao ano.

Outra opção seria a criação de “um banco central do carbono independente” ao nível europeu, que teria por mandato fixar a trajetória dos preços do carbono para atingir os objetivos da luta contra as alterações climáticas.

No plano nacional, a comissão considera “inevitável” mudar o sistema de pensões, desde logo avançar a idade da reforma, que em França é a mais baixa dos membros da OCDE.

Outra proposta inovadora é a de uma refundação do imposto sobre as sucessões, que passaria a incidir sobre os herdeiros e não sobre os dadores, para atacar as desigualdades de oportunidades, consideradas gritantes em França.

Os autores reconhecem que não quantificaram o custo das propostas, mesmo que “algumas sejam autofinanciadas”, porque, por exemplo, as receitas de uma tarificação do carbono devem permitir indemnizar os que vão sofrer com a medida, disse Jean Tirole.

Em todo o caso, para Olivier Blanchard, o assunto não é apenas financeiro. No contexto atual de taxas de juro baixas, “não há crise de dívida pública”, portanto, “se se fizer o investimento que permita evitar catástrofes ou melhorar o crescimento, pode-se aumentar a dívida”.

Lusa

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