Quarenta partidos e quase 10 mil candidatos concorrem às legislativas na Etiópia

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Quase 38 milhões etíopes são chamados hoje para eleger 547 deputados entre 40 partidos e 9.500 candidatos que concorrem nestas eleições legislativas, que acontecem num momento de guerra e fome, sobretudo, na região do Tigray.

Este é o primeiro teste eleitoral para o primeiro-ministro Abiy Ahmed, de 44 anos, que, ao chegar ao poder em 2018, prometeu que romperia com os antecessores para promover uma renovação democrática no segundo país mais populoso do continente.

“Voto porque quero ver o meu país transformado. Estas eleições são diferentes. Você pode escolher entre diferentes partidos políticos. No passado, havia apenas um”, disse à AFP Milyon Gebregziabher, de 45 anos, funcionário de uma agência de turismo.

“Acredito que esta eleição é mais democrática que a anterior”, afirmou Yordanos Berhanu, um contador de 26 anos.

Abiy Ahmed, prémio Nobel da Paz em 2019, que libertou milhares de prisioneiros e estimulou o retorno dos opositores no exílio, prometeu que estas eleições legislativas e regionais seriam as mais democráticas da história da Etiópia.

“Em termos de independência das instituições, do processo, de acesso à media, podemos dizer que é muito melhor que nas eleições anteriores”, afirmou o opositor Dessalegn Chanie, um dos líderes do Movimento Nacional para Amhara (NAMA), a segunda região mais populosa do país.

Um dos principais líderes da oposição Berhanu Nega celebrou a participação que “parece boa”.

“Esperamos que termine de maneira limpa”, frisou.

O Partido da Prosperidade, de Abiy Ahmed, é o que apresenta mais candidatos ao Parlamento e é considerado favorito para obter maioria e formar governo após as eleições.

Na Etiópia, os deputados escolhem o primeiro-ministro, que lidera o governo, e o presidente, um cargo honorário.

Durante o fim de semana, a segurança foi reforçada em todo país, que tem uma população de 110 milhões de habitantes, informou o gabinete do primeiro-ministro.

“Espero que (esta eleição) abra um novo capítulo que reúna todos os etíopes para construir juntos este grande país”, declarou a presidente Sahle-Work Zewde depois de votar em Adis Abeba.

As eleições estavam previstas para agosto de 2020. Foram adiadas em duas oportunidades, devido à pandemia de coronavírus e às dificuldades logísticas e de segurança.

Quase 38 milhões de eleitores estão registados. Muitos deles não comparecerão às urnas nesta segunda-feira, porém, já que a votação acontece em apenas 20% das 547 circunscrições.

Muitas áreas, afetadas pela violência, por insurreições armadas, ou por problemas logísticos, votarão a 6 de setembro.

AFP

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