Mais de cem mortos no ataque mais mortal no Burkina Faso desde 2015

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Pelo menos cem civis foram mortos no norte de Burkina Faso, em Solhan, entre sexta-feira e hoje, o ataque mais mortal registado neste país desde o início da violência ‘jihadista’ em 2015, informaram fontes de segurança e locais.

“Entre a noite de sexta-feira e a madrugada de hoje, indivíduos armados realizaram um ataque mortal em Solhan, na província de Yagha. O balanço, ainda provisório, é de pelo menos cem mortos, homens e mulheres”, disse à agência de notícias AFP uma fonte de segurança.

O ataque e o número de mortos foram confirmados pelo Governo.

De acordo com uma fonte local, “o atentado, que foi reportado por volta das 00:00, horário local [01:00 em Lisboa], teve como alvo inicial o posto dos Voluntários para a Defesa da Pátria [VDP]”, os auxiliares civis do exército e, posteriormente, os atacantes invadiram as casas e “realizaram execuções”.

“Além do número de mortos, o pior que registámos até hoje, as casas e o mercado [de Solhan] foram incendiados”, disse outra fonte de segurança, temendo que “o saldo, ainda provisório, de cerca de cem mortes possa aumentar”.

Um oficial do serviço de segurança disse que “homens foram destacados para realizar buscas [operações] e proteger as populações que irão realizar o resgate e sepultamento das vítimas”.

Um luto nacional de 72 horas foi decretado pelas autoridades, a partir das 00:00 de hoje até segunda-feira, 07 de junho às 23:59, de acordo com o Governo.

Sohlan, uma pequena cidade localizada a cerca de 15 quilómetros de Sebba, capital da província de Yagha localizada não muito longe da fronteira com o Mali, registou vários ataques nos últimos anos.

No dia 14 de maio, o ministro da Defesa, Chériff Sy, e membros da hierarquia militar foram a Sebba, garantindo que a situação havia voltado ao normal, após inúmeras operações militares.

Este ataque maciço por supostos jihadistas ocorreu após outro ataque entre a noite de sexta-feira e a madrugada de hoje num vilarejo na mesma região, Tadaryat, no qual pelo menos 14 pessoas, incluindo um auxiliar do VDP, foram mortas.

Os ataques acontecem uma semana depois de dois outros ataques na mesma área, nos quais quatro pessoas, incluindo dois membros do VDP, foram mortas.

Nos dias 17 e 18 de maio, 15 moradores e um soldado foram mortos em dois ataques a uma aldeia e uma patrulha no nordeste do país, segundo o governador da região do Sahel.

Desde 05 de maio, face ao ressurgimento dos ataques rebeldes, as forças armadas lançaram uma operação em larga escala nas regiões do norte e do Sahel.

Apesar do anúncio de inúmeras operações desse tipo, as forças de segurança estão a lutar para conter a espiral de violência rebelde que deixou mais de 1.400 mortos e mais de um milhão de deslocados desde 2015, fugindo de áreas de violência.

Lusa

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