Sudão do Sul à beira de um novo ‘conflito em larga escala’ – ONU

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Um relatório da ONU divulgado esta segunda-feira adverte que a aplicação lenta do acordo de paz no Sudão do Sul pode empurrar o país para um novo “conflito em larga escala”.

Devido aos apelos recentes para que os líderes sul-sudaneses renunciem, os especialistas da ONU encarregados de supervisionar as sanções e o embargo de armas no país afirmaram que “é necessário um compromisso urgente para evitar o retorno a um conflito em larga escala”.

Em documento apresentado recentemente ao Conselho de Segurança, os especialistas pedem “um impulso renovado dos parceiros regionais e internacionais para reduzir as divisões políticas e de segurança crescentes no Sudão do Sul”, além da manutenção do embargo de armas, que expira no fim de maio. Também solicitam que novas sanções sejam impostas àqueles que impedem a aplicação do acordo de paz de 2018 e a entrega de ajuda humanitária, além de uma avaliação independente sobre como o governo está a usar seu arsenal.

“Desde fevereiro de 2020, o ritmo lento das reformas do governo do Sudão do Sul e sua aplicação seletiva do Acordo Revitalizado sobre a Resolução do Conflito impediram um avanço na proteção dos civis e nas perspectivas de paz a longo prazo”, afirma o relatório. Mais de um ano de disputas partidárias sobre como aplicar o acordo “fez crescerem as divisões políticas, militares e étnicas no país”, aponta.

As disputas desencadearam “múltiplos incidentes de violência entre os dois principais signatários” – o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), dirigido pelo presidente, Salva Kiir, e o Movimento de Libertação do Povo do Sudão, dirigido pelo vice-presidente Riek Machar. Como resultado, a população sul-sudanesa “necessita de assistência humanitária em 2021 como nunca antes”, destaca o relatório.

“Apesar das necessidades humanitárias de 8,5 milhões de pessoas, o governo criou barreiras burocráticas à entrega de ajuda humanitária, e o atual conflito impediu uma distribuição segura da mesma”, assinala o texto

O Sudão do Sul sofreu seis anos com uma violência que tirou quase 400 mil vidas e expulsou 4 milhões de pessoas de seus lares. O conflito terminou oficialmente a partir da formação de um governo de união nacional com divisão do poder em fevereiro de 2020.

Fonte: AFP

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