Desalojados devido a chuvas de Luanda voltam a dormir ao relento e pedem socorro

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Famílias que viram as suas casas desabar, em Luanda, devido às chuvas torrenciais de segunda-feira, choram a morte de três crianças e a perda dos seus haveres, preparando-se para passar a segunda noite ao relento.

“Desta vez foi coisa grave, a chuva começou às 05 horas da manhã, então quando a parede da escola cai, toda a água voltou para cá, aí saíram duas mortes, aqui a parede da minha casa desabou”, contou à Lusa Joana Damião.

Com a residência parcialmente desabada, a moradora do bairro da Encib recordou que passou a noite de segunda-feira ao relento e pede às autoridades que acautelem mais perdas de vida.

“Ontem dormimos na rua, só quero que nos olhem, queremos sítio para viver porque isso é coisa grave, já dormimos na água e hoje vamos dormir na água, por favor nos olhem, está muito mal”, atirou.

O bairro da Encib, no distrito urbano do Sambizanga, é um dos mais afetados pelas chuvas de segunda-feira em Luanda e os populares, que viram as suas habitações arrasadas pela enxurrada, receiam pelo pior.

Pelo menos três crianças morreram no bairro da Encib devido à derrocada das casas, situação que amplia o lamento dos moradores que clamam pela intervenção das autoridades e alojamento num local seguro.

No local, os escombros dão as boas-vindas aos visitantes e transeuntes que por aí circulam e não escapam ao enorme lamaçal que se estende pela zona.

Enquanto uns ainda retiram águas do interior das residências, outros procuram resgatar os seus haveres, adornados pela lama infindável, enquanto o desespero toma conta de outros populares que, com semblante carregado, “rogam para não voltar a chover”.

Crianças e adultos, empenhados em reaver o pouco que lhes restou, pedem ajuda às autoridades, sobretudo para “acomodação em local seguro e bens alimentares para a sua sobrevivência”, como referiu uma das moradoras.

Julieta Kemba, 21 anos, que viu igualmente a sua residência ser deitada abaixo pela força da água, falou do drama que a sua família enfrenta descrevendo a sua situação como “péssima e desagradável”.

“Vivo com os filhos e não sei onde vou, porque para podermos conseguir ainda pregar no sono foi só pela boa vontade dos vizinhos, porque a casa está totalmente no chão”, lamentou.

Queixas também exteriorizadas por Marcelina Domingos, que viu a residência dos pais transformada em escombros e solidarizou-se com a morte de três crianças no bairro.

Casas desabadas, ruas intransitáveis, pelo menos 14 mortos são algumas das consequências das chuvas que caíram na segunda-feira em Luanda e que não pouparam a conhecida ponte do Kamorteiro, no município do Talatona, que viu ruir uma das suas lajes.

O desabamento de uma das lajes de transição da passagem que liga os distritos de Talatona e do Patriota, sul de Luanda, forçou as autoridades a interditarem a ponte, enquanto os populares pedem a reabilitação total da infraestrutura.

“A corrente de água é que fez cortar a circulação e, se chover mais, a circulação pode estar cortada por completo. É necessário que reabilitem a ponte por completo não apenas a parte que ruiu”, defendeu Charles José em declarações à Lusa.

Já o moto-taxista Miala Mateus considerou que o desabamento de uma das partes da ponte “é fruto de negligência do empreiteiro e das autoridades”, porque após a sua reabilitação a mesma “já mostrava sinais de insegurança”.

“O que acontece no nosso país é que o Governo quer dar as obras nas mãos de pessoas que não conhecem o país, porque ela foi reabilitada, gastou milhões de dólares, mas desabou em tempo curto”, atirou Mateus.

Fonte: Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.