Mais de mil empresas encerradas e 174,4 ME perdidos

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Os ataques armados no norte de Moçambique provocaram perdas de 209 milhões de dólares (174,4 milhões de euros) e levaram ao encerramento de 1.110 empresas, disse hoje, em entrevista à Lusa, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA).

Agostinho Vuma avançou que daquele valor há uma parcela de 100 milhões de dólares (83,4 milhões de euros) que corresponde a prejuízos somados na produção agrária, 95 milhões de dólares (79,2 milhões de euros) de capital físico e 14 milhões de dólares (11,7 milhões de euros) de ‘cash flow’ (fluxo de caixa) “nas diversas cadeias de valor”.

Vuma assinalou que os números abrangem prejuízos causados ao tecido empresarial de todos os distritos diretamente afetados pela ação de grupos armados na província de Cabo Delgado durante três anos e meio de violência armada na região, mas não incluem o impacto do ataque de dia 24 de março à vila de Palma, a cerca de seis quilómetros do complexo industrial dos projetos de gás natural, na península de Afungi, porque ainda está em curso um levantamento.

Apesar de ainda estar a decorrer a avaliação, o responsável referiu que “a suspensão das atividades do projeto de LNG (gás natural liquefeito) em Afungi pode afetar, de forma significativa, um grande número de empresas e suas ligações nas cadeias de valor”.

Do total de empresas que foram obrigadas a fechar devido à violência armada na província de Cabo Delgado, 410 são dos distritos diretamente afetados pelos ataques, nomeadamente Macomia, Muidumbe, Nangade, Quissanga, Mocímboa da Praia e Palma.

“As outras 750 empresas sofreram impactos indiretos devido à sua exposição nas diversas cadeias de valor, cujo fluxo [de atividade] foi interrompido na sequência do recente ataque ao distrito de Palma”, sublinhou o presidente da CTA.

Agostinho Vuma apontou que 198 mil empregos foram perdidos, dos quais 56 mil nas unidades empresariais dos distritos afetados pela violência e 143 mil no setor agrário familiar, durante os mais de três anos de conflito.

Apesar de a avaliação dos efeitos da suspensão do projeto de gás natural da multinacional francesa Total estar ainda a decorrer, Vuma adiantou que “várias empresas” correm o risco de ver cair os contratos de fornecimento, criando-se uma situação de incerteza sobre “alguns produtos em trânsito”, nomeadamente produtos perecíveis.

“Defendemos a necessidade de uma intervenção urgente para minimizar este impacto” dos ataques à vila de Palma, destacou o presidente da CTA.

O responsável defendeu um pacote de estímulos para a recuperação do tecido empresarial de Cabo Delgado, através de intervenções nos planos financeiro e fiscal, bem como a introdução de uma legislação laboral mais flexível.

As empresas em Cabo Delgado, continuou, precisam de créditos com “taxas de juro amigas” e de um “regime laboral flexível”, com um quadro normativo que garanta a contratação e redução de mão-de-obra que não ponha em causa a sobrevivência dos negócios.

Agostinho Vuma assumiu que a sustentabilidade do tecido empresarial ligado aos megaprojetos de gás natural em Cabo Delgado depende da restauração da paz na província, apelando ao Governo para encontrar soluções para o fim da violência.

A violência armada em Cabo Delgado dura há três anos e meio, mas ganhou uma nova escalada a 24 de março quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, que está a cerca de seis quilómetros dos multimilionários projetos de gás natural.

A incursão provocou dezenas de mortos e obrigou à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que já fez mais de 2.500 mortos, segundo contas feitas pela Lusa, e atinge cerca de 700 mil pessoas deslocadas desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas.

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