Países pobres vão receber 21 mil milhões, com Angola a ser o principal beneficiado nos PALOP

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A economista chefe do FMI disse hoje que os países de menor rendimento vão receber cerca de 21 mil milhões de dólares do ‘aumento de capital’ do fundo, devendo a África subsaariana receber “uma parte importante” deste valor.

“Esperamos que, no âmbito da nova alocação de Direitos Especiais de Saque (DES), os países de baixo rendimento [Low Income Countries, LIC na sigla em inglês] recebam cerca de 21 mil milhões de dólares [17,7 mil milhões de euros], e uma parte importante desse valor irá para a África subsaariana, mas não tenho o número exato”, disse Gita Gopinath.

A responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI) respondia a uma questão da Lusa sobre qual o montante que os países desta região vão receber, durante a conferência de imprensa de apresentação do relatório sobre as Perspetivas Económicas Mundiais, hoje divulgado no âmbito dos Encontros da Primavera do FMI e do Banco Mundial.

Sobre a situação na África subsaariana, o chefe de divisão do departamento, Malhar Nabar, salientou as dificuldades que a região enfrentava mesmo antes da pandemia e defendeu a necessidade de apostar na diversificação das fontes de financiamento.

“Depois da histórica contração de 1,9% em 2020, esperamos uma recuperação perto de 3,5% neste e no próximo ano, mas dentro da região há enormes diferenças nas circunstâncias dos países”, vincou o responsável, salientando que as economias mais dependentes do turismo e as mais apoiadas na exportação de recursos naturais foram as mais afetadas.

“As economias dependentes do turismo, como as Seicheles ou as Maurícias, foram particularmente afetadas, com o colapso dos viajantes e do turismo internacional, e as dependentes de recursos também estão numa situação difícil, ao passo que as mais diversificadas parecem estar a recuperar mais depressa”, disse Malhar Nabar.

O responsável referiu que “a região como um todo entrou na crise com elevados níveis de vulnerabilidades da dívida, houve uma queda das receitas com a pandemia e um aumento das despesas relacionadas com a crise, o que tornou a situação ainda mais difícil”, alertando que é preciso fazer mais.

“Muitos esforços vão ser precisos para recuperar o caminho de convergência em que estavam antes da crise, e isso tem de vir da comunidade internacional, como o FMI, por exemplo, mas também dentro dos países”, alertou.

Para Malhar Nabar, “quando a crise passar, os esforços dos governos têm de ser direcionados para o aumento das fontes de rendimento interno, capitalizar o financiamento privado e garantir que a região como um todo cria emprego suficiente para a sua população jovem”.

A diretora executiva do FMI deverá apresentar em junho uma proposta concreta de distribuição dos DES, que são atribuídos de forma automática em função da quota de cada país.

O Fundo defende que os países mais ricos, que recebem mais por terem uma quota maior, devem emprestar a sua parte aos países mais pobres, que vão proporcionalmente receber menos por terem uma quota menor.

No caso dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), a emissão de 650 mil milhões de dólares em DES, cerca de 550 mil milhões de euros, deverá proporcionar cerca de 1.700 milhões de dólares, mais de 1.436 milhões de euros, com Angola a ser o principal beneficiado.

Estes números, no entanto, deverão ser a base mínima, já que nas últimas semanas são cada vez mais as vozes que têm pedido aos países mais desenvolvidos para canalizarem parte da sua alocação para os países em maiores dificuldades financeiras.

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