Igreja kimbanguista completa 100 anos ao lado do poder na RDC

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O culto kimbanguista, uma igreja cristã da África, nascida no Congo, celebra nesta terça-feira (6) 100 anos na cidade sagrada de Nkamba, na presença do presidente Félix Tshisekedi, em sinal de obediência ao poder estabelecido, ao contrário dos católicos, que lideram o descontentamento político e social.

Fundada pelo “papa” Simon Kimbangu em 6 de abril de 1921, os fiéis vestidos de branco e verde pretendem inundar a cidade sagrada e a “Nova Jerusalém” de Nkamba, na província de Kongo-central (200 km ao oeste de Kinshasa), outrora epicentro do prestigioso reino Kongo, antes da chegada dos europeus nos séculos XV-XVI.

Fiel de uma igreja evangélica, o presidente da República, Félix Tshisekedi, é aguardado no imponente templo construído no final de uma longa estrada de terra que alguns comparam ao “caminho da cruz”.

Os kimbanguistas prometeram obediência ao chefe de Estado que tomou posse em janeiro de 2019, e apoiam sua nova maioria “União Sagrada da Nação” que afastou do poder seu antecessor Joseph Kabila.

Com o mesmo zelo, os kimbanguistas colaboraram com os regimes de Kabila pai e filho (1997-2019) e apoiaram a longa ditadura do marechal Mobutu (1965-1997).

“Respeitar a autoridade do Estado” é o primeiro dos 12 preceitos, antes de uma longa lista de proibições (não fumar, não beber, não dançar nem olhar quem dança, não se lavar, ou dormir nu, etc.).

Os kimbanguistas também pedem aos fiéis que paguem o imposto e “amem as pessoas próximas e os inimigos”.

“A Igreja kimganguista colabora estreitamente com os poderes estabelecidos. Somos apolíticos”, disse à AFP Apo Salimba, encarregado da missão ante o líder espiritual Simon Kimbangu, neto do pai fundador.

A Igreja kimbanguista, que reivindica ter milhões de fiéis no mundo, distingue-se da católica, cuja conferência episcopal denuncia em alguns momentos o egoísmo dos políticos, o mau governo e a corrupção que afetam o país da África subsaariana.

Os católicos participaram das mobilizações contra Kabila no início de 2018, com três protestos brutalmente reprimidos a tiros e que deixaram 15 mortos.

A RDC teria 40% de católicos, 35% de protestantes, 10% de kimganguistas e 9% de muçulmanos, de acordo com várias estimativas, num país de mais de 80 milhões de habitantes. O último censo aconteceu em 1984.

– “O preso mais velho do mundo” –

Na sua origem, a Igreja kimbanguista representou um movimento de resistência à colonização belga, enquanto a Igreja católica “historicamente esteve associada à colonização belga”, afirma o pesquisador e historiador Sébastien Fath.

Simon Kimbangu nasceu em 24 de setembro de 1899 em Nkamba, atual província de Kongo-central, entre Kinshasa e o Oceano Atlântico, porta de entrada dos colonos e das influências estrangeiras desde o final do século XV – portugueses, britânicos, belgas.

Muitos atribuem a Kimbangu a cura milagrosa de uma mulher doente em 6 de abril de 1921. Este primeiro milagre marca o nascimento de sua igreja, que retoma vários elementos do cristianismo importado pelos missionários, com especificidades locais.

O “papa” Kimbangu teve tempo de exercer a liderança por apenas cinco meses. Mas sua pregação teve grande eco numa população colonizada disposta a ampliar sua mensagem de emancipação do homem negro.

Em setembro de 1921, o novo profeta que arrastava multidões foi detido pela administração colonial belga.

“Me limitei a pregar o evangelho de Jesus Cristo”, respondeu aos juízes de um tribunal militar que o acusou de atentar contra a segurança do Estado e a ordem colonial. Foi condenado à morte em outubro.

Kimbangu passou, no entanto, 30 anos detido, até sua morte em 1951, no dia do nascimento de seu neto, atual líder espiritual da Igreja Kimbanguista.

“Foi o preso mais velho do mundo, mais do que Mandela”, afirma Apo Salimba.

Desde 2002, após a morte de Salomon Dialungana, último filho do profeta Simon Kimbangu, existe uma dissidência que tem como pano de fundo um conflito de sucessão.

Os kimbanguistas também são conhecidos por sua orquestra sinfônica e pela mudança da data do nascimento de Cristo para 25 de maio desde 2000.

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