Libéria acolhe julgamento por crimes cometidos em guerras civis

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A Libéria acolhe pela primeira vez a partir desta terça-feira (23), em local secreto, um julgamento sobre crimes cometidos durante uma das guerras civis que sangraram o país, tendo como acusado um ex-rebelde de Serra Leoa julgado pela Justiça finlandesa.

O tribunal finlandês que julga Gibril Massaquoi na Finlândia viajou à Libéria há cerca de dez dias, para visitar alguns dos locais onde foram cometidos os alegados crimes e, a partir desta terça, inicia as audiências com testemunhas em Monróvia.

Trata-se de um processo finlandês e não liberiano. Sucessivos governos liberianos, incluindo o do atual presidente George Weah, abstiveram-se de criar um tribunal para julgar os crimes cometidos durante as guerras civis de 1989-1996 e 1999-2003 neste país africano.

Foi uma das piores guerras do continente, com 250 mil mortos e milhões de deslocados, e que sangrou uma das nações mais pobres do planeta.

O réu de 51 anos, que mora na Finlândia desde 2008, negou por meio de seus advogados qualquer envolvimento no conflito no início de seu julgamento, em 3 de fevereiro, em Tampere, no sul da Finlândia.

Apelidado de “o anjo Gabriel” na época, Gibril Massaquoi enfrenta prisão perpétua por assassinato, “crimes de guerra agravados” e “crimes contra a humanidade” por atos cometidos ou ordenados entre 1999 e 2003.

Na época, ele ocupava um alto cargo na Frente Revolucionária Unida (RUF), um grupo armado de Serra Leoa liderado pelo cabo Foday Sankoh, próximo ao ex-senhor da guerra liberiano que mais tarde se tornaria presidente, Charles Taylor.

– Assassinatos e estupros –

Massaquoi, detido em março de 2020 na Finlândia após a mobilização de várias ONGs, acompanhará os testemunhos pela internet, a partir de sua prisão de Tampere.

Um morador de Yandohun, uma cidade na fronteira da Libéria e Serra Leoa, onde Gibril Massaquoi perpetrou vários de seus supostos crimes e onde o tribunal viajou na semana passada, contou à AFP como seu pai foi assassinado diante de seus olhos por homens armados.

O líder local, por sua vez, disse que sua esposa havia sido estuprada em sua presença.

A ata de acusação inclui vários assassinatos e estupros em massa na província de Lofa (norte) e na capital, além de práticas de escravidão e recrutamento de crianças-soldados.

O tribunal ouvirá os depoimentos de cerca de 50 pessoas durante seis semanas, depois viajará para Serra Leoa para continuar seu trabalho, antes de retornar à Finlândia em cerca de dois meses.

O veredicto está previsto para setembro. A lei finlandesa permite o julgamento de crimes graves cometidos no exterior.

Fonte: AFP

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