Angola merece uma polícia melhor

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Há um ditado que diz, se queres medir o grau de civismo de uma sociedade, vê como ela trata os seus presos.

O que vimos no vídeo que foi partilhado horas depois do incidente em Cafunfo, em que um polícia da Ordem Pública, de forma gratuita e abusiva pontapeia e pisa na cabeça de um cidadão ferido que já não representava uma ameaça, é repugnante, não é representativo do povo angolano, não é um comportamento digno de um polícia, independentemente da situação e circunstâncias, e deve ser condenado com veemência por todos.

É importante salientar que não se julga o carácter de uma pessoa ou instituição através de um único acontecimento. O comportamento espelhado pelo agente da polícia no referido vídeo, tem sido o comportamento da corporação. Sempre que há manifestação, a polícia sai a bater, a matar, o que é completamente errado, viola a Constituição, viola a lei e viola o princípio republicano.

Para alguns grupos, a manifestação é o último rácio, é última tentativa para se tentar chegar a um objetivo. Como disse um internauta: “os acontecimentos de Cafunfo são resultado da falta de comunicação”. Mesmo acontece em lares, quando as pessoas param de falar, surge sempre em seguida a violência, e não é diferente quando tratamos de assuntos políticos ou sociais, aliás, a nossa história está repleta de exemplos: em 1975, quando os três movimentos independentistas deixaram de falar, veio a guerra civil, o caso de Cabinda também é um outro exemplo e esse do Movimento do Protectorado da Lunda Chokwe não é diferente.

Por isso, os governantes e a polícia devem compreender a essência da manifestação.

A manifestação não é um desafio a autoridade do Estado, muito pelo contrário, é um mecanismo estabilizador. É um mecanismo de comunicação, é um convite das massas aos órgãos de poder para um dialogo, é uma chamada de atenção e é certamente um ato de criticismo.

Nós não somos uma Dinamarca, uma Holanda, uma Bélgica, nós temos um país quebrado dos pés a cabeça, com instituições altamente ineficientes e não funcionais, e por essas razões os governantes, os órgãos de representação do povo nunca se devem escusar de dialogar. O governo deve sempre assumir uma postura de que está errado e que a parte oposta está certa.

A polícia como garante da autoridade do Estado, deve sempre pautar pelo dialogo e sobretudo, respeitar e fazer respeitar a lei.

Nós precisamos de repensar o perfil da polícia que queremos, não podemos aceitar que a polícia seja um centro de acolhimento para fracassados, a tábua de salvação de quem já não consegue fazer mais nada, um centro de acolhimento para pessoas com comportamentos desviantes, uma instituição de losers.

Angola precisa de uma polícia que saiba dialogar, uma polícia inteligente que saiba estar e que tenha civismo, uma polícia disciplinada, com ética e decoro, uma polícia que representa os nossos valores, a nossa cultura, o nosso carácter, a de um povo que respeita a lei.

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