Igreja Universal do Reino de Deus em Angola poderá mudar de nome

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A Igreja Universal do Reino de Deus em Angola (IURD-Angola), poderá mudar de nome, segundo avançou o líder reformista, Valente Bizerra Luís, este sábado, no final de uma cerimónia de ordenação de setenta novos pastores e conselheiros da Igreja.

O Guardião

Questionado pela imprensa presente no ato, se a liderança da Igreja pensava em mudar a denominação da igreja, o representa legal da Comissão de Reforma da Igreja Universal disse que não podia dizer que sim ou não porque não era uma questão que dependia só dele.

“Precisamos conversar com os membros, com os pastores e acredito que nesta assembleia-geral vamos também falar a respeito disso”, disse Valente Bizerra Luís.

Pressionado a responder, Valente Bizerra Luís disse que “não posso dizer sim, não posso dizer não porque eu não decido sozinho”, reforçou.

A comissão de reforma da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD-Angola) convocou, este sábado, em Luanda, a realização da sua assembleia-geral ordinária para a última semana de Fevereiro deste ano.

O bispo Valente Luís fez saber que com a realização da referida assembleia-geral a comissão de gestão transitória cessará as suas funções, passando a responsabilidade aos órgãos sociais a serem eleitos a luz dos estatutos da IURD-Angola.

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), criada em 1977, no Brasil, pelo bispo Edir Macedo, implantou-se em Angola em 1992.

A crise na IURD em Angola resultou de profundas divergências entre pastores e bispos angolanos e brasileiros sobre a gestão dessa instituição, com queixas de humilhações, injustiças e discriminação apresentadas por angolanos.

O conflito agudizou-se em Junho de 2019, quando pastores e bispos se envolveram numa intensa troca de acusações e agressões físicas.

Desde a ocorrência, registada em diversas províncias do país, a Comissão de Gestão assumiu o controlo de dezenas de templos.

Na altura em que se deu o primeiro sinal da crise, 320 pastores e bispos acusaram os ex-parceiros brasileiros de várias irregularidades e, a partir daí, a situação degenerou num braço-de-ferro pela liderança da IURD no país.

Dos principais factores do conflito saltam à vista, segundo o manifesto, a exigência da prática da vasectomia aos pastores angolanos, abortos forçados, racismo, alienação de mais de metade do património da igreja, branqueamento de capitais, e evasão de divisas para o exterior.

Constam ainda das acusações a proibição às mulheres de pastores de terem acesso à formação académica/científica e técnico-profissional, irregularidades no pagamento da segurança social e falta de projecto de desenvolvimento pastoral em formação teológica específica.

A 17 de Novembro de 2020, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) declarou que, para efeitos de legalidade da liderança da IURD Angola, é suficiente o Diário da República, III Série, número 129, de 26 de Novembro de 2020.

Deste boletim oficial do Estado consta a Acta da Assembleia-geral Extraordinária, de 24 de Junho, e o Termo de Certificação de outros factos, emitido pelo quarto Cartório Notarial de Luanda.

O Diário da República confirma a eleição dos representantes da IURD Angola e confere poderes ao coordenador da Comissão de Reforma, Valente Luís, para representar a igreja de origem brasileira em Angola.