Conflitos tribais em Darfur deixam mais de 80 mortos em 24 horas

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Violentos confrontos entre tribos rivais em Darfur provocaram a morte de mais de oitenta pessoas nas últimas 24 horas, nesta região localizada no oeste do Sudão e caracterizada pela instabilidade e insegurança.

“O número de mortos por causa dos sangrentos eventos que ocorreram em El Geneina, capital de Darfur Ocidental, aumentaram desde sábado de manhã, alcançando 83 mortos e 160 feridos, entre eles membros das forças armadas”, tuitou neste domingo o Comitê Central de Médicos do Sudão, próximo ao movimento de protesto que no ano passado derrubou o presidente Omar Al-Bashir.

Esses confrontos também foram os mais mortais após o fim da missão de paz conjunta entre a ONU e a União Africana (UA) em Darfur em 31 de dezembro, retirada que gerou preocupações de uma escalada da violência entre os habitantes desta grande região.

Os confronto são caracterizados pela oposição entre a tribo Al-Massalit com os nômades árabes. Milícias armadas favoráveis aos nômades atacaram El Geneina e várias casas foram incendiadas, segundo testemunhas.

O primeiro-ministro Abdallah Hamdok enviou uma delegação de “alto escalão” a Darfur Oeste para monitorar a evolução da situação, disse a agência SUNA.

Darfur regista um crescimento dos confrontos tribais que desde o final de dezembro, poucos dias antes do fim da missão conjunta da ONU e da União Africana, e até sábado, deixaram 15 mortos e dezenas de feridos.

A retirada progressiva de tropas desta missão, que está prevista para começar em janeiro de 2021, será realizada ao longo de seis meses. E, com isso, o governo sudanês assume a responsabilidade de proteger as populações desta região.

– Terra, água –

O conflito que começou em 2003 entre forças leais ao governo central de Cartum e milícias insurgentes deixou cerca de 300.000 mortos e 2,5 milhões de deslocados, especialmente nos primeiros anos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Para combater os insurgentes, o governo central enviou os yanyauid (“homens armados a cavalo”), uma milícia de nômades árabes, acusados de “limpeza étnica” e estupros.

Apesar de a violência ter diminuído na intensidad, os confrontos são bastante frequentes, tanto pelo acesso à terra quanto pelo à água, entre pastores árabes nômades e camponeses de Darfur.

O governo de transição – instalado em Cartum após a queda do presidente Omar al Bashir – assinou em outubro um acordo de paz com vários grupos rebeldes, alguns deles de Darfur.

Após a UNAMID, que contava com cerca de 16.000 efetivos, a ONU permanecerá no Sudão através de uma missão própria enviada para apoiar a transição no país (Minuats).

Esta missão política terá como tarefa acompanhar o governo de transição, lançado em agosto de 2019 e fruto de um acordo entre militares e líderes do movimento de protesto da sociedade.

Também contribuiria para aplicar os recentes acordos de paz em áreas devastadas pelos conflitos. Omar al-Bashir, que está na prisão, e outros ex-funcionários sudaneses são procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações como “crimes contra a humanidade” e “genocídio” em Darfur.

Fonte: AFP

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