Dissidentes do Tigré lançam foguetes contra região vizinha na Etiópia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

As forças da região etíope dissidente do Tigré, que enfrentam o Exército federal, voltaram a lançar foguetes contra a região vizinha de Amhara, enquanto o governo central afirma que suas tropas se aproximam de Mekele, capital do Tigré.

Segundo informou o oficial de comunicação de Amhara, Gizachew Muluneh, à AFP nesta sexta-feira, três foguetes foram lançados do Tigre em direção à cidade de Bahir Dar, mas sem atingir nenhum objetivo.

A agência Amhara Mass Media atribuiu o tiroteio ao “conselho ilegal da TPLF”, a Frente Popular de Libertação do Tigré, que comanda esta região norte e que há vários meses desafia a autoridade do governo federal.

Antigas disputas territoriais impuseram-se aos habitantes de Amhara e Tigré, e as tensões entre as duas comunidades às vezes degeneraram em violência. Agora, os combatentes Amhara juntaram-se ao exército federal no conflito do Tigré.

As autoridades do Tigré disseram num comunicado que a aviação da “gangue fascista” do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed havia bombardeado Mekele na quinta-feira, ferindo “estudantes universitários”.

Abiy Ahmed, primeiro-ministro desde 2018 e 2019 vencedor do Prêmio Nobel da Paz, lançou uma operação militar em Tigré em 4 de novembro contra a TPLF, a qual acusa de tentar desestabilizar o governo federal e de atacar duas bases militares etíopes na região, o que os dissidentes negam.

O governo etíope afirma que os bombardeamentos evitam causar vítimas civis.

Não existe um balanço preciso da ofensiva militar, e as reivindicações de um ou de outro beligerante não podem ser verificadas de forma independente, já que a região está virtualmente isolada do mundo.

– Crianças isoladas –

As autoridades do Tigré reconheceram ter lançado foguetes esta semana contra Asmara, capital da vizinha Eritreia, que faz fronteira com a fronteira norte do Tigre, acusando as autoridades da Eritreia de conluio com o exército etíope.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu nesta sexta-feira “a abertura de corredores humanitários” para ajudar a população presa pelos combates na região etíope de Tigré, lamentando que as autoridades rejeitem qualquer tipo de mediação.

“Estamos muito preocupados com a situação na Etiópia” e com “o dramático impacto humanitário” que causa, inclusive no Sudão, disse Guterres à media em Nova York.

No âmbito regional, a União Africana (UA) nomeou três ex-presidentes como enviados especiais para tentar mediar entre as partes em conflito, anunciou o chefe de estado sul-africano Cyril Ramaphosa nesta sexta-feira.

Ramaphosa anunciou em nota a nomeação de Joaquim Chissano, de Moçambique, Ellen Johnson-Sirleaf, da Libéria, e Kgalema Motlanthe, da África do Sul.

Os três nomeados viajarão para a Etiópia para “criar as condições para um diálogo nacional aberto para resolver as questões que deram origem ao conflito”, acrescentou, sem especificar um calendário.

O Unicef indicou nesta sexta-feira que o conflito na região do Tigré deixou 2,3 milhões de crianças necessitadas de ajuda emergencial em situação precária e outras milhares se refugiaram em campos no Sudão. Centenas de pessoas morreram e, segundo as autoridades sudanesas, 36.000 cruzaram a fronteira com o Sudão.

“O apagão nas comunicações e as restrições de movimento na região do Tigré estão impedindo o acesso a cerca de 2,3 milhões de crianças que precisam de ajuda humanitária”, disse a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, em um comunicado sexta-feira.

A agência das Nações Unidas estima que cerca de “12.000 crianças, algumas sem pais ou família, estão em campos de refugiados e centros de registro e correm risco”.

Muitos dos campos improvisados montados no Sudão estão superlotados e os refugiados vivem em condições insalubres, com acesso limitado a água e alimentos.

A ONU informou nesta sexta-feira que cerca de 200 milhões de dólares são necessários para atender às necessidades de milhares de etíopes que se refugiam no Sudão.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.