Google fecha acordo de remuneração com media francesa, um feito histórico

Google fecha acordo de remuneração com media francesa, um feito histórico

A Google anunciou nesta quinta-feira (19) a assinatura de acordos com um “determinado número” de meios de comunicação franceses, como o jornal Le Monde, no âmbito das negociações sobre direitos conexos, para as plataformas de remuneração da imprensa pela publicação dos seus conteúdos.

“Atualmente, mantemos conversas com outros atores da imprensa diária nacional e regional, bem como com revistas”, acrescentou a gigante americana em um blog.

A Google inicialmente se recusou a pagar à imprensa francesa, mas a Autoridade da Concorrência ordenou que negociasse com a media.

Os direitos conexos foram votados no Parlamento Europeu em 2019 para que as plataformas digitais remunerassem os meios de comunicação pela publicação dos seus conteúdos, nomeadamente vídeos e fotos.

A França aplicou imediatamente a legislação europeia e, portanto, o restante dos países acompanha com atenção a evolução das negociações neste país.

A Google rejeitou em primeiro momento pagar à imprensa francesa, mas a Autoridade da Competência ordenou que negociasse com a media, uma decisão validada pela Justiça em apelação.

Além desses primeiros acordos individuais, a Google continua a negociar com a General Information Press Alliance sobre um acordo-quadro, cujas negociações devem ser concluídas “antes do final do ano”.

“Este avanço permite remunerar a imprensa em França de acordo com a lei dos direitos conexos, segundo critérios objetivos, transparentes e não discriminatórios, como a contribuição do meio para a informação política e geral, o seu volume diário de publicações, a sua audiência mensal na internet, bem como o uso de conteúdo em nossos sites”, disse Sébastien Missoffe, CEO do Google França, na postagem do blog.

Nenhum detalhe financeiro sobre os acordos foi mencionado.

Os acordos preveem, por outro lado, que os assinantes se beneficiem do programa Google News Showcase, que já existe em outros países e que propõe também remunerar os veículos por uma seleção de conteúdos.

Este programa “permitirá aos leitores acessar um conteúdo enriquecido e à media desenvolver uma relação ainda mais estreita com seus leitores, beneficiando-se de condições adicionais de remuneração de seus conteúdos”, explica a Google.

Por sua vez, as agências de notícia indicaram através de sua Federação que não “se deixarão explorar”, lamentando que “alguns veículos estejam dispostos a fechar acordos com a Google sobre direitos que não possuem, ou seja, os direitos afins das agências de notícia”.

O presidente da Agence France-Presse, Fabrice Fries, se mostrou “otimista” sobre as relações com os GAFA: “Há alguns meses notamos uma mudança de atitude das plataformas”, afirmou no mesmo evento.

Fries acrescentou que espera que a agência dobre em um ano sua renda fornecida pelas plataformas (hoje em dia de 10 milhões de euros, 11,8 milhões de dólares).

Além da França e da UE, a questão sobre como as plataformas pagam pelos conteúdos de imprensa percorrem todo o mundo. A Austrália, por exemplo, quer obrigar a Google e o Facebook a pagar sua imprensa local.

Fonte: AFP

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