Refugiados etíopes no Sudão temem pela educação de seus filhos

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Sentado no chão em um acampamento de trânsito na região de Gedaref, no Sudão, o professor etíope Tadros Bay lê uma história em voz alta para quatro crianças reunidas ao seu redor.

Ele tem nas mãos um livro usado que milagrosamente conseguiu salvar ao escapar de Mai Kadra, cidade do Tigré de onde é originário e da qual saiu apressado quando, segundo ele, militares do Exército federal cometeram abusos.

As crianças ouvem atentamente este professor de 32 anos, mas seus esforços são irrisórios diante das enormes necessidades desses refugiados que fugiram às pressas da guerra na Etiópia.

“Tento ajudar essas crianças, mas não temos livros nem espaço para estudar”, lamenta.

Nesta cidade de trânsito no leste do Sudão, na fronteira com a Etiópia, há 17.000 refugiados, dos quais 5.000 são crianças, de acordo com a Comissão Sudanesa para Refugiados.

Construída há cinco anos para realocar os habitantes de uma aldeia submersa por uma represa, essa aglomeração leva o nome de “Aldeia número 8” e tem apenas uma escola para sudaneses.

Nas ruas, um bando de crianças corre, brinca e grita, mas não estuda. Seus pais temem que se tornem uma geração sacrificada, porque todos estão convencidos de que a guerra vai durar.

– Medo pelo futuro –

Em 4 de novembro, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, enviou o Exército federal para a região dissidente de Tigré (norte), liderada pela Frente de Libertação dos Povos do Tigré (TPLF).

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 4.000 pessoas cruzaram a fronteira com o Sudão todos os dias desde 10 de novembro, ou seja, cerca de 27.000 pessoas até o momento.

“É um fluxo como não se via nas últimas duas décadas nesta parte do país”, afirma a entidade.

Iessa Burhano, de 29 anos, tinha um hotel com o marido em Mai Kadra, no sudoeste do Tigré, onde houve um “massacre” e abusos, segundo depoimentos e a Anistia Internacional.

A ONG cita testemunhas que acusam as forças leais à TPLF de serem responsáveis por um “massacre” que “provavelmente” causou centenas de vítimas civis em Mai Kadra.

No entanto, vários refugiados etíopes entrevistados pela AFP no campo de Oum Raquba, no estado de Gedaref, afirmam que os soldados do Exército federal cometeram abusos.

“Os soldados do Exército federal atacaram nosso hotel e saquearam nossas propriedades”, explica Iessa Burhano.

Além disso, ela reclama que seus três filhos, de 8, 10 e 13 anos, que deveriam voltar à escola este mês, “agora são refugiados e não poderão retomar os estudos”.

“É trágico que minhas filhas não tenham nenhuma chance de ir à escola num futuro próximo”, afirma Setim Zum, de 31 anos.

Tasfai Gabro, originário de Humera, ao oeste de Tigré, também teve que fugir de sua aldeia. O caminhoneiro de 60 anos é pai de quatro filhos, um deles no ensino médio e os demais no ensino fundamental.

“Agora que estamos no Sudão, temo pelo futuro dos meus filhos. Acho que a guerra vai durar muito tempo”, lamenta.

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