Partes em conflito na Líbia assinam ‘cessar-fogo permanente’ com efeito imediato

Partes em conflito na Líbia assinam ‘cessar-fogo permanente’ com efeito imediato

As duas partes em conflito na Líbia assinaram um cessar-fogo nacional e permanente com “efeito imediato” nesta sexta-feira (23), após cinco dias de negociações em Genebra com mediação da ONU, que celebrou uma mudança em direção à paz.

“As partes chegaram a um acordo para um cessar-fogo permanente em toda Líbia. Esta conquista representa uma mudança importante para a paz e a estabilidade do país”, afirmou a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul) na sua página do Facebook, que exibiu ao vivo a assinatura do acordo.

“É um acordo com efeito imediato”, afirmou a diretora da Manul, Stephanie Williams.

O cessar-fogo deve ser acompanhado pela saída da Líbia “dos mercenários e combatentes estrangeiros (…) num prazo máximo de três meses a partir de hoje”, completou.

A assinatura do acordo aconteceu no Palácio das Nações Unidas de Genebra. A cerimônia durou 10 minutos, seguidos por muitos aplausos.

As partes líbias e Stephanie Williams participaram do evento. Todos usaram máscara, devido às normas de saúde impostas pela pandemia da covid-19.

“É uma honra estar com vocês para acompanhar um momento que entrará para a história”, afirmou Williams, que estava ao lado da diretora-geral da ONU em Genebra, Tatiana Valovaya.

“Parabenizo pelo que conquistaram aqui. Precisaram de muita coragem. Se uniram pelo bem da Líbia, por seu povo, para tomar medidas concretas e acabar com seu sofrimento” completou, falando em árabe.

De Nova York, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, elogiou, nesta sexta, o acordo como “um passo fundamental para a paz e a estabilidade” desse país.

“Felicito as partes por ter feito prevalecer o interesse de sua nação sobre suas diferenças”, acrescentou, em entrevista coletiva na sede da ONU em Nova York.

“Muitas pessoas sofreram” com este conflito “por tempo demais”, afirmou, lamentando as mortes de civis provocadas pelos embates.

“Faço um apelo a todas as partes envolvidas e aos atores regionais que respeitem as disposições do acordo de cessar-fogo e garantam sua aplicação sem demora”, declarou, lembrando da necessidade de se respeitar o embargo de armas em vigor sobre a Líbia desde 2011.

Numa primeira reação líbia, o chefe do GNA, Fayez al-Sarraj, destacou o papel da Manul no desfecho desta acordo em favor de “uma paz baseada na justiça”, que “afaste o espectro da guerra e de distúrbios em nostro país”, conforme um comunicado.

A embaixada americana na Líbia também elogiou o cessar-fogo.

“Este acordo é um grande passo para a realização dos interesses compartilhados por todos os líbios de desescalada (do conflito), estabilidade e retirada de combatentes estrangeiros”, disse em nota.

“Pedimos aos atores internos e externos que agora apoiem de boa fé a implementação do acordo”, acrescentou.

A Líbia sofre com a violência e o caos desde a queda do regime Muamar Khadafi em 2011.

Atualmente, o país é cenário de um conflito entre o Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela ONU e com sede em Trípoli, e o marechal Khalifa Haftar, que domina o leste e parte do sul do país – sobretudo as zonas em que se encontram as principais instalações de petróleo.

Cada lado possui seus apoios internacionais.

“O caminho foi longo e, às vezes, difícil. Seu patriotismo permitiu que avançassem para um acordo de cessar-fogo”, afirmou a enviada da ONU para a Líbia.

Os combates no país deixaram centenas de mortos e forçaram milhares de pessoas ao exílio.

O cessar-fogo é um sinal de esperança para uma população exausta pela guerra e pelas divisões.

A representante da ONU indicou que as duas partes também concordaram em aumentar a produção de petróleo e pediu a seus comandantes “que trabalhem com o representante da Libyan National Oil Company (NOC) para propor uma reestruturação das instalações petrolíferas”.

A Comissão Europeia recebeu o acordo líbio como uma “boa notícia” e pediu uma rápida implementação do cessar-fogo para permitir a retomada das negociações de paz.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, questionou a viabilidade do cessar-fogo permanente.

“O acordo de cessar-fogo não foi alcançado no mais alto nível. O tempo vai dizer se deve durar”, declarou, cético, Erdogan, que apoia o GNA, reconhecido pela ONU.

Ele disse ainda que o acordo “carece de credibilidade”.

Fonte: AFP

Close Menu