Santos e Robinho suspendem contrato após pressão após condenação em caso de violência sexual

Santos e Robinho suspendem contrato após pressão após condenação em caso de violência sexual

O Santos e o atacante Robinho anunciaram nesta sexta-feira (16) a suspensão do contrato assinado em 10 de outubro entre o clube e jogador, devido à pressão provocada pela condenação em primeira instância do atleta por violência sexual na Itália.

“O Santos Futebol Clube e o atleta Robinho informam que, em comum acordo, resolveram suspender a validade do contrato firmado no último dia 10 de outubro para que o jogador possa se concentrar exclusivamente na sua defesa no processo que corre na Itália”, anunciou no Twitter o clube paulista.

Num story publicado em sua conta no Instagram, o jogador de 36 anos assegurou que, juntamente com o presidente do clube, tomou a decisão de invalidar sua contratação “neste momento conturbado” da sua vida.

“Se de alguma forma estrou atrapalhando, melhor que eu saia e foque nas minhas coisas pessoais. Com certeza vou provar minha inocência”, acrescentou.

Desde o anúncio de sua contratação, o Santos foi duramente questionado por alguns adeptos, a imprensa e coletivos feministas, que criticavam a contratação do jogador formado nas divisões de base do Peixe, aonde chegou livre após deixar o Estambul Besaksehir, da Turquia, em agosto passado.

O jogador foi condenado em 2017 a nove anos de prisão por ter participado com um grupo de amigos de um ato de violência sexual contra uma jovem em uma boate de Milão, em 2013. Robinho alega inocência e recorreu da sentença, que pode ser apelada em mais duas instâncias judiciais na Itália.

– Pressão dos patrocinadores –

As pressões contra o atacante, que na época da agressão jogava no AC Milan, foram aumentando ao longo da semana.

Nesta sexta, oito dos dez patrocinadores do Peixe ameaçaram romper ou não renovar os contratos se Robinho continuasse no clube, mergulhado em uma forte crise econômica que lhe acarretou sanções da FIFA para contratações por falta de pagamento em transferências de jogadores.

A empresa de ortodontia Orthopride cancelou o patrocínio na quarta-feira.

Os patrocinadores apertaram sua posição depois que o portal Globo Esporte revelou, mais cedo, trechos das interceptações telefônicas feitas pelas autoridades italianas ao jogador e alguns dos envolvidos da suposta agressão, que serviram para condená-los.

Nos trechos, Robinho admite que a mulher se encontrava em alto estado de embriaguez e que tentou fazer sexo com ela. “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”, teria dito o atacante, segundo o site GloboEsporte.com.

Em outro trecho, o atacante supostamente conversa com o músico brasileiro Jairo Chagas, que se apresentou na boate na noite da agressão. O artista lhe diz que viu quando o jogador pôs o pênis na boca da vítima. “Isso não significa transar”, responde Robinho, de acordo com o portal.

Num comunicado divulgado mais tarde na imprensa brasileira, a defesa do jogador reiterou que ele não cometeu o crime pelo qual é acusado e que não houve admissão de culpa nas interceptações telefônicas.

“Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação”, escreveu a defesa.

– Situação atípica –

O cancelamento do contrato com Robinho, que teve 80 atuações na seleção brasileira, é uma situação atípica no Brasil, país tradicionalmente machista, onde a grande maioria dos jogadores envolvidos em casos de violência contra a mulher conseguiram continuar com suas carreiras sem maiores contratempos.

Entre eles se destaca o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, que matou sua ex-amante em 2010, e atualmente atua no Rio Branco, da quarta divisão.

O Santos até agora tinha apoiado firmemente o jogador, alegando que ainda restam ao atleta duas instâncias na justiça italiana.

A posição da equipa, em que estrearam Pelé e Neymar, foi a mesma adotada, em seu momento, por clubes em que atuaram atletas acusados de violência de gênero, como Juninho, Carlos Alberto, Jobson, Valdiram, Vampeta e Marcelinho Paraíba. Todos continuaram jogando.

“Há uma tolerância para crimes assim – na sociedade e principalmente no futebol (…) O jogador ainda tem a seu favor o status de ídolo”, disse à AFP Renata Mendonça, comentarista do SporTV e cofundadora do portal Dibradoras, especializado em coberturas de mulheres desportistas.

Com 212 milhões de habitantes, o Brasil concentrou 1.206 (32%) dos 3.722 feminicídios registados em quinze países latino-americanos em 2018, segundo relatório da Cepal.

Este ano foram registadas mais de 66.000 casos de agressão sexual e 263.000 de violência doméstica, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Fonte: AFP

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