“Edeltrudes fora”, exigem manifestantes nas ruas de Luanda

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Cerca de cem pessoas manifestaram-se hoje em Luanda, exigindo a demissão de Edeltrudes Costa, chefe de gabinete do Presidente da República, João Lourenço, que alegadamente terá sido beneficiado em contratos com o Estado.

Os manifestantes concentraram-se perto das 11:00 no Largo das Heroínas e saíram às 13:00 em direção à Mutamba, numa marcha acompanhada de apitos e palavras de ordem contestando Edeltrudes e com recados ao Presidente e o partido do poder, MPLA.

À cabeça do desfile, os manifestantes empunhavam uma faixa com os dizeres “Edeltrudes Fora”, além de cartazes improvisados.

“J-LO queremos o nosso gatuno”, lia-se num deles, numa alusão ao Presidente da República. “Angola continua amordaçada”, contestava outro.

A manifestação foi organizada para pressionar o Presidente da República a demitir o seu chefe de gabinete, disse à Lusa Dito Dali, um dos organizadores.

“O senhor Edeltrudes está a ser acusado de ter desviado avultadas somas de dinheiro de Angola para o exterior, dinheiro que serviu para comprar casas em Cascais, apartamentos e carros topo de gama. Não podemos aceitar que um gestor público no exercício das suas funções e neste momento de crise pegue o dinheiro e o leve para o exterior, quando há angolanos a morrer por falta de medicamentos dos hospitais e por falta de comida”, criticou.

Dito Dali destacou que o combate à corrupção foi a bandeira do Presidente e que este tem de dar o exemplo: “A Presidência da República não pode ser um abrigo para corruptos. É bom que o Presidente estenda a luta contra a corrupção a todas as esferas, sejam seus filhos, amigos próximos ou compadres, devem ser responsabilizados”.

Dito e outros ativistas estão a recolher assinaturas para uma petição pública para mostrarem que “os angolanos estão atentos e vão acompanhando as ações dos gestores públicos”, pretendendo remeter depois o manifesto para a Presidência.

“Vamos até ao fim para ver o senhor Edeltrudes Costa fora da Presidência da República. A partir de hoje, vamos transformar as ruas de Luanda nos nossos escritórios”, prometeu Dito Dali, reclamando uma revisão da Constituição da República.

Quanto à luta contra a corrupção, “tudo depende do Presidente da Republica”, afirmou

“Se demitir Edeltrudes, esse ‘slogan’ de luta contra a corrupção vai se manter, mas se não o tirar significa que o combate a corrupção fracassou e é pena porque o Presidente vai perder credibilidade”, a nível interno e externo

Também a ativista social Laura Macedo se juntou ao protesto, destacando a luta contra a corrupção.

“Ainda não conseguimos perceber o que o Governo quer com este tipo de luta contra a corrupção, achamos que não estão a combater nada, as acusações não passam de brincadeira”, disse à Lusa.

Laura Macedo apontou o caso de Augusto Tomás, ex-ministro dos Transportes “que está na cadeia mas continua a ser um homem rico” e do empresário Jean Claude Bastos de Morais com quem o governo angolano “fez um pacto de não agressão” como maus exemplos.

“Agora temos João Lourenço a decretar contratos com os seus auxiliares, não pode ser”, criticou.

“Este é o mote que me traz aqui, não estou preocupada com os Edeltrudes que a vida nos traz, estou preocupada é com a forma como o Presidente Joao Lourenço está a governar o país”, destacou a ativista.

“Não há milionário nenhum aqui — e não são poucos — que tenha trabalhado para esse dinheiro”, rematou a ativista social, defendendo que todo o governo se devia demitir, por que “o problema está no próprio Presidente da República”.

A marcha parou na zona da Mutamba onde um cordão policial travou os manifestantes e impediu que se aproximassem da Cidade Alta, centro do poder político em Luanda, que alberga o Palácio Presidencial.

O caso que envolve o chefe de gabinete de João Lourenço foi noticiado recentemente pela estação televisiva TVI e envolve a contratação de uma empresa de consultoria de Edeltrudes Costa num negócio que tinha como objetivo a modernização dos aeroportos angolanos e terá rendido vários milhões de euros em contratos públicos que foram autorizados pelo chefe de Estado angolano.

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