Boris Johnson enfrenta crise de confiança no Partido Conservador

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Menos de um ano depois de seu triunfo eleitoral, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, muito criticado por sua gestão da pandemia, enfrenta uma crise de confiança na convenção anual do Partido Conservador, que começa neste sábado.

Devido ao coronavírus, os debates e discussões aconteceram de maneira virtual este ano, o que pode enfraquecer o entusiasmo do carismático Johnson, mas também preservá-lo da ira de parte dos membros do partido.

De acordo com uma pesquisa do site ConservativeHome, os integrantes do partido são cada vez menos favoráveis às medidas confinamento obrigatório e quase metade prefere uma abordagem que favoreça o distanciamento físico voluntário.

O apoio à política de saúde do primeiro-ministro “diminuiu consideravelmente entre os membros do partido”, destaca Paul Goodman, chefe de redação do ConservativeHome.

“A queda de confiança ecoa a redução observada nas pesquisas entre a opinião pública e reflete a perda de popularidade do próprio primeiro-ministro”, completa.

O ambiente era muito diferente no ano passado, quando Johnson foi eleito líder conservador antes de vencer, de modo triunfal, as eleições legislativas de dezembro, com a promessa de “concretizar o Brexit” após anos de debates e caos político sobre a saída da União Europeia (UE), decidida em um referendo em 2016.

Agora, a UE acaba de iniciar um procedimento de infração do Reino Unido devido a um projeto de lei, aprovado pelos deputados britânicos na terça-feira, que revoga trechos do acordo do Brexit em vigor desde janeiro.

O projeto de lei, que Londres admitiu ser uma violação do direito internacional, foi criticado por alguns conservadores, que temem um abalo na credibilidade diplomática do Reino Unido.

Johnson, no entanto, afirmou ao jornal Daily Telegraph, que está “bastante otimista” sobre um acordo pós-Brexit.

Normalmente, os conservadores britânicos adoram os ataques de Johnson a Bruxelas, onde ele trabalhou como correspondente há vários anos e era responsável por críticas ácidas às políticas europeias.

Mas o Brexit já aconteceu e, apesar da necessidade de alcançar um acordo comercial com a UE, no plano nacional as tensões com Bruxelas são ofuscadas pela pandemia de covid-19.

Alguns conservadores criticam o primeiro-ministro por não ter consultado de modo suficiente o Parlamento sobre as medidas de saúde e criticam uma estratégia restritiva, que o deputado Philip Davies chegou a classificar de “socialista”.

A imprensa conservadora encontrou um novo favorito no jovem ministro das Finanças, Rishi Sunak, que muitos gostariam de ver como sucessor de Johnson em Downing Street.

Sunak discursará na segunda-feira e Johnson apenas na terça-feira, no encerramento do congresso.

“Um discurso apenas – inclusive de um demagogo como Boris – nunca é suficiente para mudar a situação”, afirmou à AFP o cientista político Tim Bale, da Queen Mary University de Londres.

“A única vantagem para Boris Johnson é que a celebração da conferência online não dará a seus colegas descontentes a chance de reclamar e até mesmo questionar em voz alta se eles não fariam melhor em substituí-lo antes que seja tarde demais”, conclui.

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