Governo adopta medidas de alívio na agricultura

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

O secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, João Manuel da Cunha, disse, nesta segunda-feira, que o Governo angolano está a adoptar medidas para aliviar os efeitos da pandemia da Covid-19 na agricultura.

Para aliviar os efeitos da crise, o Governo está a prestar apoio ao sector informal, do qual dependem boa parte das famílias angolanas, com o financiamento das actividades agrícolas familiares, através dos bancos e do Fundo Agrário.

Com o mesmo objectivo, o Executivo criou o Fundo de Capital de risco com o objectivo de conceder microcrédito para apoiar as escolas de campo e as caixas de crédito comunitárias.

O Executivo criou, igualmente, o Fundo de Emergência, que está a providenciar apoio aos programas para a agricultura, pecuária e pescas, sobretudo, para as comunidades mais vulneráveis, e os programas de Transferência de Base Monetária e de cestas de alimentos básicos.

Ao intervir na 27ª Sessão do Comité da Agricultura (COAG) da FAO, que decorre por videoconferência, o responsável explicou que o sector agrícola em Angola teve de enfrentar alguns desafios, sobretudo na primeira fase da pandemia, em consequência das limitações impostas na livre circulação de pessoas e bens.

Durante a sua intervenção, João Manuel da Cunha  manifestou o reconhecimento e o apoio, sem reservas, de Angola na institucionalização do Subcomité de Pecuária, cuja criação consta do programa desta sessão. 

O SubComité vai permitir, na sua opinião, melhorar a participação dos técnicos da área nas discussões e a contribuir para o cumprimento dos ODS. 

Afirmou, por outro lado, que na fase actual em que o espectro da fome se alarga, havendo necessidade imperiosa de se analisar e abordar as perdas e desperdícios de alimentos. 

Nesta óptica, considera “injusto a falta de sensibilidade da humanidade que continua a desperdiçar alimentos, enquanto noutras partes existem cerca de 820 milhões de pessoas a passarem fome, número que tende a aumentar devido a Covid-19”. 

Para João da Cunha, o Código de Conduta Voluntário sobre as perda de alimentos e redução dos desperdícios é um importante instrumento de apoio à todos os interventores da cadeia de valor, na luta contra os desperdícios.

João da Cunha exprimiu ainda o apoio do país ao Plano de Acção para a implementação da estratégia da integração da biodiversidade nos sectores agrícolas, com vista a alterar o quadro actual, caracterizado pela erosão da biodiversidade, e fazer-se face aos novos desafios decorrentes do crescimento da população e das alterações climáticas.

Angola apoia, de igual forma, a implementação de uma Plataforma Internacional para Alimentação e Agricultura Digital, justificada, principalmente, pelo contexto actual da pandemia da Covid-19, que tem estado a exigir de todos a aplicação de tecnologias digitais na alimentação e na agricultura.

A digitalização, de acordo com o secretário de Estado, pode tornar os sistemas alimentares mais produtivos e contribuir para todas as dimensões do desenvolvimento sustentável – económica, ambiental e social. 

A propósito,  informou que o Governo definiu, no Plano Nacional de Desenvolvimento de cinco anos, como prioridade  relançar e diversificar à produção agrícola e pesqueira, por forma a reduzir o défice alimentar, melhorar a nutrição e as condições de vida das populações, principalmente as mais vulneráveis.

“As linhas de acção que orientam a nossa actividade incidem, principalmente, no relançamento do Programa de Apoio à Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI),” explicou, acrescentando que o programa prevê uma fluente aliança com o sector privado, para o aumento da produção nacional e da renda familiar, a extensão rural e a formação e capacitação.

Com isso, disse, pretende-se investir fortemente em projectos que visam contribuir para o aumento da produção de cereais, hortaliças, frutas e tubérculos, construção de perímetros irrigados, assim como incentivar a produção animal, com vista a diminuir a importação de bens que podem ser facilmente produzidos no país. 

Para alcançar este desiderato, referiu, o país está s a mudar gradualmente de paradigma, através do incentivo à mecanização, tendo em conta que em Angola 72% das terras é preparada ainda manualmente, e 25% por tracção animal.

Destacou ainda o Recenseamento Agro-pecuário e Pescas (RAPP), lançado em Agosto de 2020, com o objectivo de actualizar o mapa agrícola nacional nos domínios da agricultura familiar e empresarial e identificar o que se produz e as dificuldades existentes.

O projecto visa a consolidação e o reforço da base de dados, com informação estatística fiável e robusta, que servirá de base para o alinhamento de políticas e estratégias nacionais.

Para a implementação destas acções, o Governo angolano espera contar com a ajuda da comunidade internacional e da assistência técnica da FAO, dada a sua grande experiência em matérias de desenvolvimento agrícola.

Alterações climáticas e pragas

Quanto às alterações climáticas, afirmou que embora o território angolano seja privilegiado em recursos como a água, contudo, à semelhança dos demais países em desenvolvimento,  há períodos em que a agricultura se ressente da sua falta, com destaque para o período de estiagem. 

A propósito,  referiu que no sul de Angola cerca de 2,3 milhões de pessoas foram afectadas pela seca, das quais 500 mil são crianças com menos de cinco anos de idade, segundo a UNICEF. 

“Daí a necessidade de se fazer um melhor aproveitamento dos rios e de outros corpos de água, melhorando e diversificando os sistemas de irrigação e para o efeito, esperamos contar com o apoio técnico da FAO”, afirmou.

Para João da Cunha, as alterações climáticas e a variabilidade sazonal impulsionam o surgimento, propagação e severidade de pragas e doenças, que afectam significativamente os sistemas de produção agrícola e pecuária, o meio ambiente e a saúde humana.

Entre as principais pragas de plantas, João Cunha apontou os gafanhotos do deserto como sendo os mais devastadores devido à sua rápida disseminação pelas fronteiras. A lagarta do milho é outra praga bastante devastadora, que tem estado a propagar-se  por grandes extensões de culturas em África.

No âmbito da cidadania solidária, recordou que o Fundo de Solidariedade Africana, que tem Angola como presidente do Comité Director,  apoiou, com um milhão de dólares, para fazer face a praga dos gafanhotos que estavam a por em risco a segurança alimentar dos países da África do Leste.

A sessão está a discutir, entre vários tópicos,  “Os Objetivos da Pecuária Sustentável para o Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, “A pandemia da COVID-19 e seu impacto na segurança alimentar e nutricional e nos sistemas alimentares”, “O Código de Conduta Voluntário sobre Perda de alimentos e redução do desperdício”, “O Plano de Acção da Juventude Rural” e a proposta de um Subcomité de Pecuária do COAG.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.