Famílias vulneráveis sustentam indústria com lixo plástico

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Cerca de 70 toneladas de resíduos plásticos são adquiridas mensalmente pela fábrica Marplastico, do grupo Marivel, de pessoas singulares e colectivas do município do Lubango, província da Huíla e do Namibe, que encontraram há dois anos no negócio uma via de sustento de suas famílias.

A Marplastico é a primeira fábrica de produtos plásticos na região sul do país e está instalada na zona industrial da Figueira, que inicialmente tinha como fonte de matéria-prima o exterior,   mas que hoje vive da reciclagem, graças a esse projecto que envolve famílias vulneráveis.

Em declarações à ANGOP o proprietário da empresa, Floriano Vieira Dias, afirmou que têm uma área de reciclagem na fábrica que  usa todo material plástico de polipropilenio, trazendo para si diversos clientes e fornecedores, maioritariamente pessoas que recolhem o produto das ruas. 

Avançou terem diversos fornecedores no Lubango, que não são fixos, e têm também um grupo de mulheres do Namibe, que se juntam e trazem para vender resíduos plásticos, entre 30 a 40 toneladas.

Vieira Dias realçou que com esta base, muitas famílias já conseguem alimentar-se e garantir a subsistência.  

“Actualmente estamos a receber diariamente 12 a 13 pessoas a fornecer resíduos plásticos. Pagamos por quilograma 180 a 185 kwanzas se for matéria muito boa e se for o que as pessoas denominam por lixo pagamos na ordem dos 120 Kz, por dar mais trabalho na separação, pois tem mais custos para o processo de reciclagem”, explicou. 

Detalhou que o pocesso de reciclagem do plástico, depois a compra do produto, começa com o descarregamento, passa por uma separação, depois segue para as máquinas de trituração, de derretimento e depois para a de fabrico, um processo que demora quatro a cinco horas, envolvendo 64 trabalhadores, de um global de 110 funcionários. 

Disse que a fábrica produz 176 itens diferentes, sem constrangimentos, quer na disponibilidade de matéria-prima reciclável e quer da original, cujo produto final é comercializado maioritariamente no Huambo, Benguela, Namibe e na Huíla.

Por sua vez, o contabilista-gestor da Marivel (armazém), Almeida da Silva, empresa localizada na cidade do Lubango e que também funciona como um entreposto de compra do material para a fábrica, disse que ser uma forma empreendedora de ajudar as pessoas a sustentar as suas famílias. 

Neste ponto de compra, segundo o responsável, podem receber até 20 pessoas dor dia, com quantidades diárias que variam de 50 a 200 quilogramas.  

Encorajou as pessoas a continuarem com a prática, que contribui para a construção do país, além de sustentarem as suas famílias,   aliados aos empreendedores. 

Satisfação dos fornecedores  

Helena Quereto, de 68 anos, estava desempregada e soube das vizinhas que  o armazém da Marivel comprava resíduos plásticos para a fábrica, daí que começou com o ofício há um mês. 

Com o dinheiro que ganha, referiu, sustenta os quatro netos órfãos que residem consigo, comprando alimentos e sabão para lavagem da roupa.

Já Manuel Feitas, de 25 anos de idade, afirmou que vende resíduos plásticos, desde a abertura da fábrica e incentiva outros jovens sem emprego a fazerem o mesmo, a fim de não caírem no mundo da criminalidade.  

“De lá para cá mudou muita coisa na minha vida, pois não dá para mexer o que é alheio. Nos remediamos nesse negócio. Consigo comprar comida para mim e satisfazer outras necessidades”, continuou.  

Um outro fornecedor, Isaías de Jesus, 27 anos, trabalha no ramo há um ano e destacou que apesar da vida estar cada vez mais difícil, com o aumento dos preços dos produtos, consegue suportar 25% da alimentação de casa.  

Afirmou que o trabalho de recolher plástico nas lixeiras é árduo e difícil. Muitas vezes passam o dia inteiro nas ruas e não encontram material suficiente, que devem reunir numa semana de recolha para ganhar um valor razoável.  

“Em vez de 100 Kwanzas, poderiam-nos pagar a 150 ou 200 tendo em conta o trabalho árduo de recolha de plástico”, sugeriu. 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.