Militares que tomaram poder no Mali anunciam eleições dentro de “prazo razoável”

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Os militares que tomaram o poder no Mali e forçaramo Presidente Ibrahim Boubacar Keita a demitir-se, afirmaram hoje que pretendem uma “transição política civil” que conduza a eleições gerais dentro de um “prazo razoável”.

“Nós, as forças patrióticas agrupadas no Comité Nacional para a Salvação do Povo (CNSP), decidimos assumir as nossas responsabilidades perante o povo e perante a história”, disse o porta-voz dos militares e vice-chefe de Estado-Maior da Força Aérea, coronel Ismaël Wagué, numa declaração emitida às 03:40 (04:40 em Lisboa) pela televisão pública ORTM.

“O nosso país […] afunda-se dia após dia no caos, na anarquia e na insegurança, por culpa dos homens encarregados do seu destino”, acusou o oficial, denunciando o “clientelismo político” e “a gestão familiar dos assuntos do Estado”.

“A sociedade civil e os movimentos sociopolíticos são convidados a juntar-se a nós para criar as melhores condições para uma transição política civil conducente a eleições gerais credíveis para o exercício da democracia, através de um roteiro que lançará as bases para um novo Mali”, acrescentou.

O porta-voz garantiu ainda que todos os acordos internacionais do Mali serão respeitados, afirmando que os militares estavam “empenhados no processo de Argel”, o acordo de paz assinado em 2015 entre Bamako e os grupos armados do norte do país.

O porta-voz dos militares pediu ainda o apoio das organizações internacionais “para o bem-estar do Mali”.

“A [missão da ONU] Minusma, a operação [anti-extremista francesa] Barkhane, o G5 Sahel [que inclui cinco países da região], a força Takuba [‘task-force’ de forças especiais europeias] continuam a ser nossos parceiros”, acrescentou.

Cerca de três horas antes, o Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, no poder desde 2013, anunciou a demissão e a de todo o Governo, numa declaração transmitida pela televisão maliana, após ter sido deposto por um golpe militar.

Keita, que tinha sido detido na companhia do primeiro-ministro Boubou Cissé no final da tarde de terça-feira e levado para o acampamento militar onde se iniciou um motim no início do dia, surgiu por volta da meia-noite na televisão pública ORTM, usando máscara.

Apresentado como “Presidente cessante”, Keita referiu-se depois às “várias manifestações” que têm vindo a exigir a sua partida há vários meses, afirmando que “o pior aconteceu”.

“Se hoje pareceu bem a alguns elementos das nossas forças armadas concluir que tudo devia terminar com a sua intervenção, será que tenho realmente escolha? Não tenho outra escolha senão submeter-me, porque não quero que seja derramado sangue para me manter [no cargo]”, disse.

“É por isso que gostaria neste preciso momento, ao agradecer ao povo do Mali o seu apoio ao longo destes longos anos e o calor do seu afeto, de vos anunciar a minha decisão de deixar as minhas funções, todas as minhas funções, a partir deste momento”, disse. “E com todas as consequências legais: a dissolução da assembleia nacional e do governo”, acrescentou.

Na terça-feira, o ministro da Defesa Nacional português tinha indicado estar a acompanhar com grande preocupação a crise no Mali, onde estão destacados 63 militares da Força Aérea Portuguesa, na sequência da detenção do Presidente e do primeiro-ministro malianos.

“O ministro da Defesa Nacional está a acompanhar a situação no Mali com grande preocupação, mais ainda numa altura em que Portugal tem no território uma Força Nacional Destacada de 63 militares e um avião de transporte C-295”, de acordo com a informação prestada à agência Lusa pelo gabinete de João Gomes Cravinho.

O ministro acentuou “a ilegitimidade da imposição” da força para resolver o conflito e “considera fundamental respeitar a ordem constitucional do país”, adiantou a mesma informação.

“Qualquer mudança que venha a ocorrer no Mali não pode ser imposta pela força das armas”, salientou a fonte do gabinete de João Gomes Cravinho.

Portugal tem desde 01 de julho uma Força Nacional Destacada no Mali, no âmbito da Missão Multidimensional Integrada para a Estabilização do Mali (Minusma), das Nações Unidas, que inclui 63 militares da Força Aérea Portuguesa e um avião de transporte C-295.

O objetivo da missão portuguesa é assegurar missões de transporte de passageiros e carga, transporte tático em pistas não preparadas, evacuações médicas, largada de paraquedistas e vigilância aérea e garantir a segurança do campo norueguês de Bifrost, em Bamako, onde estão alojados os militares portugueses.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.