EUA estão a desenvolver cepa de coronavírus para ‘testes de desafio’ em humanos

EUA estão a desenvolver cepa de coronavírus para ‘testes de desafio’ em humanos

Cientistas americanos estão a desenvolver uma cepa do coronavírus que pode ser usada para infectar deliberadamente voluntários nos chamados “estudos de desafio”, disse uma agência governamental nesta sexta-feira (14).Continua depois da publicidade

O trabalho é preliminar e o governo continua a priorizar os ensaios clínicos randomizados de vacinas candidatas, segundo o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID). Vários deles entraram em seus estágios finais, incluindo as vacinas desenvolvidas pela Moderna, Pfizer e AstraZeneca.

Mesmo assim, o NIAID “iniciou esforços para fabricar uma cepa que poderia ser usada para desenvolver um modelo de desafio humano, se necessário”, afirmou o órgão em um comunicado.

Em testes clínicos normais, os voluntários recebem um medicamento ou um placebo e sua saúde é acompanhada ao longo de meses ou anos. Os pesquisadores procuram saber se a vacina ou o tratamento funcionou bem quando a pessoa foi exposta naturalmente ao patógeno.

Uma maneira mais rápida, porém, de testar se um medicamento funciona é infectando voluntários propositalmente, como foi feito no passado com a gripe, malária, febre tifóide, dengue e cólera.

Nos Estados Unidos, grupos como o 1DaySooner apoiam estudos de desafio para a COVID-19, mas o assunto é controverso por causa da gravidade da doença e porque seus efeitos não são totalmente compreendidos.

O NIAID disse que provavelmente chegará a uma decisão no final de 2020, quando os testes clínicos em estágio final que estão em andamento começarão a relatar seus resultados. Isso ajudaria a determinar se os estudos de desafio são necessários, seguros e éticos.

David Diemert, diretor da unidade de pesquisa de vacinas da George Washington University, que está a supervisionar um teste da vacina da Moderna na capital dos EUA, disse à AFP que não achava que estudos de desafio fossem apropriados para o novo coronavírus.

“Eu acho que eles são uma ferramenta crítica, mas apenas sob as circunstâncias certas”, declarou. O próprio Diemert está a liderar testes de desafio para uma vacina contra a ancilostomíase.

Para a COVID-19, entretanto, ele disse que “não temos uma compreensão muito clara de quem está em risco de desenvolver uma doença grave e não temos nenhum tratamento que possa curar alguém se essa pessoa desenvolver uma doença grave”.

Além disso, há transmissão comunitária suficiente nos Estados Unidos, então testes de desafio não são necessários, acrescentou o diretor. O país é o mais afetado no mundo pela pandemia, com 5,3 milhões de casos confirmados.

Fonte: AFP

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