Oposição do Zimbabué diz que autoridades continuam detenções arbitrárias

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Grupos de defesa dos direitos humanos do Zimbabué estão a acusar os militares e a polícia do país de prenderem dezenas de membros da oposição e da sociedade civil.

Segundo a organização Advogados do Zimbabué para os Direitos Humanos, que está a acompanhar judicialmente as detenções, mais de 60 pessoas foram detidas até agora.

Na semana passada, a escritora Tsitsi Dangaremba foi presa durante um protesto pacífico, passando a noite numa esquadra antes de ser libertada sob fiança.

O principal partido da oposição zimbabueano, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), diz que dezenas dos seus funcionários foram detidos ou esconderam-se.

Citado pela Associated Press, o porta-voz da oposição, Tendai Biti, referiu que quando os agentes estatais não encontram a pessoa que procuram, vandalizam as suas casas e assediam os seus familiares.

A oposição acusa a administração do Presidente do país, Emmerson Mnangagwa, de reprimir os protestos recorrendo a medidas de contenção destinadas ao combate à covid-19.

Polícia e funcionários do Governo negaram repetidamente as alegadas violações dos direitos humanos no Zimbabué, considerando que os detidos ou eram procurados pela polícia, ou estavam a incitar a realização de uma revolta contra o executivo de Mnangagwa.

Durante o dia de hoje, um juiz adiou para quinta-feira uma audiência sobre a fiança do jornalista de investigação Hopewell Chin’ono.

Detido no dia 20 de julho, o jornalista viu o primeiro pedido de fiança negado no dia 24 do mesmo mês.

Hopewell Chin’ono considera que está a ser julgado por expor a corrupção, incluindo contratos destinados à compra de medicamentos e material de proteção contra a covid-19, num escândalo que levou à detenção e demissão do ministro da Saúde zimbabueano.

“O jornalismo foi criminalizado. A luta contra a corrupção deve continuar, as pessoas não devem parar”, disse Chin’ono no dia 24 de julho, após ter sido presente a tribunal.

Mdudzuzi Mathuthu, um outro jornalista de investigação que recentemente denunciou a alegada corrupção ligada à aquisição de materiais destinados ao combate à covid-19, está escondido.

“Estou escondido como um rato no meu próprio país por não fazer mais do que o meu trabalho”, afirmou Mathuthu, citado pela AP.

O diretor da Human Rights Watch (HRW) para a África Austral, Dewa Mavhinga, apontou que as detenções “são preocupantes”, dizendo que houve casos de estudantes detidos por caminharem com a bandeira zimbabueana ou por escreverem nas redes sociais sobre os problemas económicos e políticos do Zimbabué.

“A contínua repressão pelas forças de segurança mostra que nada mudou desde os dias repressivos de Robert Mugabe”, vincou Mavhinga, referindo-se ao antigo Presidente do país, que governou o Zimbabué durante 37 anos.

Seu sucessor, Mnangagwa prometeu “um florescimento da democracia” aquando da sua tomada de posse, em 2017.

No início dos anos 2000, a expulsão de agricultores brancos resultou numa crise que levou à queda da moeda, à hiperinflação e a uma taxa de desemprego superior a 90%, condições de que o Zimbabué nunca conseguiu recuperar plenamente.

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