Os que não sabiam, agora já sabem!

Os que não sabiam, agora já sabem!

O país começou esta semana na eminência de uma crise política e diplomática criada pela ala brasileira num conflito que desde o princípio o governo angolano caracterizou como um problema interno da IURD.

Ciente da sua posição muito fraca em termos de legitimidade, jurídico e patrimonial, ala brasileiro tentou, como nas novelas que estamos todos habituados a ver, muscular a sua posição usando a sua influência política no Brasil, junto do presidente Bolsonaro, para pressionar o governo angolano a intervir a seu favor, uma situação que teve uma resposta à medida das autoridades angolanas.

O que os nossos irmãos da ala brasileira talvez não sabiam e agora certamente já sabem, Angola é um país soberano com leis e instituições próprias. É um país crescido, com quase 45 anos, não tão velho quanto o Brasil, mas adulto e maduro suficiente para fazer-se respeitar.

Segundo a nossa constituição, Angola é um Estado laico. O que significa por palavras miúdas que o Estado não se intromete na organização e exercício da atividade religiosa desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis. E o problema na IURD é um problema de organização e exercício da atividade religiosa.

Tenho a certeza que ala brasileira sabia disso, mas numa guerra de milhões, vale tudo…

Por vezes a racionalidade, o respeito, a moral, a ética, os bons princípios religiosos são postos de parte pela ganância, fazendo-nos questionar se o objetivo primário é servir Deus ou servir-se a si mesmo. Se o objetivo primário é servir Deus, não importa a posição. Mas se o objetivo é servir-se a si mesmo, só a posição de absoluto controlo interessa.

A igreja Universal em Angola é uma instituição independente a do Brasil, regida por leis e um estatuto próprio. A única ligação entre a IURD Angola e IURD Brasil é um vínculo espiritual, ou seja, um vínculo doutrinal, que é sobretudo opcional. Isso quer dizer que se a IURD Angola já não se vê representada pela liderança brasileira e a sua doutrina, pode se assim decidir, quebrar o vínculo e optar por uma doutrina própria, seguindo o seu próprio caminho como aconteceu com a igreja da Maná que hoje é a Josafat.

A questão patrimonial é ainda mais simples: (1) não existe nenhum vínculo jurídico entre a IURD Brasileira e a IURD angolana; (2) o património foi construído com dinheiro dos dízimos dos angolanos. Conclusão, o património da IURD em Angola pertence aos angolanos e não aos brasileiros.

A única questão a clarear é se a ala angolana, oposta à ala brasileira, representa a maioria dos fiéis da IURD em Angola?

Facto é que a ala angolana conseguiu ocupar os principais templos em 17 das 18 províncias e representa a maioria dos bispos e pastores angolanos. Há aqui um domínio em termos de representatividade. O reconhecimento desta situação justifica sobremaneira os insultos e jogos de bastidores da ala brasileira para tentar de uma forma ilegal reverter a situação à seu favor.

O desmembramento dos angolanos da igreja mãe, vai muito além da perda de influência e dinheiro. Esta ação dos angolanos pode funcionar como um elemento catalisador para fiéis da IURD noutros países que estão a ser vítimas do mesmo. E pode muito bem passar de uma luta de manutenção para uma luta de sobrevivência tanto no Brasil como fora dele.

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