Os que não sabiam, agora já sabem!

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

O país começou esta semana na eminência de uma crise política e diplomática criada pela ala brasileira num conflito que desde o princípio o governo angolano caracterizou como um problema interno da IURD.

Ciente da sua posição muito fraca em termos de legitimidade, jurídico e patrimonial, ala brasileiro tentou, como nas novelas que estamos todos habituados a ver, muscular a sua posição usando a sua influência política no Brasil, junto do presidente Bolsonaro, para pressionar o governo angolano a intervir a seu favor, uma situação que teve uma resposta à medida das autoridades angolanas.

O que os nossos irmãos da ala brasileira talvez não sabiam e agora certamente já sabem, Angola é um país soberano com leis e instituições próprias. É um país crescido, com quase 45 anos, não tão velho quanto o Brasil, mas adulto e maduro suficiente para fazer-se respeitar.

Segundo a nossa constituição, Angola é um Estado laico. O que significa por palavras miúdas que o Estado não se intromete na organização e exercício da atividade religiosa desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis. E o problema na IURD é um problema de organização e exercício da atividade religiosa.

Tenho a certeza que ala brasileira sabia disso, mas numa guerra de milhões, vale tudo…

Por vezes a racionalidade, o respeito, a moral, a ética, os bons princípios religiosos são postos de parte pela ganância, fazendo-nos questionar se o objetivo primário é servir Deus ou servir-se a si mesmo. Se o objetivo primário é servir Deus, não importa a posição. Mas se o objetivo é servir-se a si mesmo, só a posição de absoluto controlo interessa.

A igreja Universal em Angola é uma instituição independente a do Brasil, regida por leis e um estatuto próprio. A única ligação entre a IURD Angola e IURD Brasil é um vínculo espiritual, ou seja, um vínculo doutrinal, que é sobretudo opcional. Isso quer dizer que se a IURD Angola já não se vê representada pela liderança brasileira e a sua doutrina, pode se assim decidir, quebrar o vínculo e optar por uma doutrina própria, seguindo o seu próprio caminho como aconteceu com a igreja da Maná que hoje é a Josafat.

A questão patrimonial é ainda mais simples: (1) não existe nenhum vínculo jurídico entre a IURD Brasileira e a IURD angolana; (2) o património foi construído com dinheiro dos dízimos dos angolanos. Conclusão, o património da IURD em Angola pertence aos angolanos e não aos brasileiros.

A única questão a clarear é se a ala angolana, oposta à ala brasileira, representa a maioria dos fiéis da IURD em Angola?

Facto é que a ala angolana conseguiu ocupar os principais templos em 17 das 18 províncias e representa a maioria dos bispos e pastores angolanos. Há aqui um domínio em termos de representatividade. O reconhecimento desta situação justifica sobremaneira os insultos e jogos de bastidores da ala brasileira para tentar de uma forma ilegal reverter a situação à seu favor.

O desmembramento dos angolanos da igreja mãe, vai muito além da perda de influência e dinheiro. Esta ação dos angolanos pode funcionar como um elemento catalisador para fiéis da IURD noutros países que estão a ser vítimas do mesmo. E pode muito bem passar de uma luta de manutenção para uma luta de sobrevivência tanto no Brasil como fora dele.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.