Sangrentos ataques em Darfur buscam fragilizar novo poder no Sudão

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Os recentes ataques em Darfur, como a sangrenta ofensiva que deixou dezenas de mortos no domingo (28) e causou danos materiais significativos, têm como objetivo enfraquecer o novo governo no Sudão, após a queda de Omar al-Bashir.

“É uma mensagem. O objetivo é desestabilizar o país, demonstrar no exterior que o governo de Cartum controla apenas a capital”, explica o diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e especialista em Sudão, Marc Lavergne.

Segundo a ONU, cerca de 500 homens armados atacaram a localidade de Masteri, a 48 quilômetros da capital da província de El Geneina, no Darfur Ocidental, no sábado. Mais de 60 pessoas foram mortas, a maioria da comunidade Masalit, e outras 60 ficaram feridas.

Um ataque dessa envergadura “requer uma verdadeira organização”, afirmou Lavergne.

Agricultores procedentes de tribos africanas vivem nesta cidade, cujas casas foram saqueadas e queimadas, assim como metade do mercado local.

Segundo o Comitê de Médicos Sudaneses, o ataque durou nove horas. Oito mulheres estão entre as vítimas fatais.

“Este é o mais recente de uma série de sete incidentes violentos entre 19 e 26 de julho, que deixaram dezenas de mortos e feridos, além de várias cidades e casas queimadas e mercados e lojas danificados” neste estado, lamentou a ONU.

A derrubada por parte do Exército, em 2019, após 30 anos de poder do autocrata Omar al-Bashir, mudou a situação no país.

– Conflitos pela terra –

É o que avalia Abdullah Adam Jater, escritor e especialista em Darfur: “A nova onda de violência em Darfur está ligada à queda do regime de Al-Bashir, porque, durante anos, o regime forneceu armas às milícias e lhes deu o direito de confiscar terras e exigir taxas dos agricultores”.

Mas, “após a queda de Al-Bashir, os agricultores se recusaram a pagar as taxas”, o que aprofundou o problema, afirmou, acrescentando que, agora, “a situação está fora de controle”.

Nesta imensa região de 400.000 km2 – mais da metade é deserto -, os agricultores pertencem a tribos africanas que cultivam cereais, enquanto as tribos árabes se dedicam à pecuário (vacas, cordeiros, ou camelos).

Sua coexistência tem sido uma fonte de embate por terra, água e pastagens.

Em 2003, eclodiu conflito entre o regime de maioria árabe de Omar al-Bashir e os insurgentes de minorias étnicas que se consideravam marginalizadas. Segundo a ONU, milhares de pessoas morreram, e milhões se viram forçadas ao deslocamento.

Quando Al-Bashir caiu, o novo governo, formado após um acordo entre os militares e os líderes dos protestos, iniciou negociações em outubro de 2019 para um pacto de paz com grupos rebeldes. O objetivo era acabar com os conflitos nas regiões de Darfur, Cordofão do Sul e o Nilo Azul.

Devido à recente onda de violência, o governo decidiu enviar “forças de segurança para as regiões onde esses distúrbios ocorrem para garantir a segurança dos habitantes”, declarou o ministro sudanês do Interior, Eltrafi Elsdik, no domingo.

Nos cinco estados de Darfur, 2,8 milhões de pessoas passam fome e, deste total, 545.000 vivem em Darfur Ocidental.

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