Contra COVID-19, Trump aposta tudo na vacina… Para os EUA primeiro

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Sem ter o intuito de paralisar a economia para conter a COVID-19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta segunda-feira (27) que a solução passa pela descoberta rápida de uma vacina e de novos tratamentos contra o vírus, que contaminou um de seus assessores mais próximos.

A Casa Branca anunciou que o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, Robert O’Brien, testou positivo para a COVID-19, mas que seguirá trabalhando em isolamento. Outros funcionários do Executivo americano já foram contaminados, mas, até agora, o presidente tem escapado do vírus.

Hostil a qualquer medida drástica de confinamento antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nas quais tentará a reeleição, Trump quer resolver a crise sanitária graças “ao gênio científico americano”.

O presidente republicano deixou ainda mais clara sua intenção ao visitar o local de produção na Carolina do Norte da vacina experimental desenvolvida por uma das várias empresas em que seu governo apostou: a Novavax, uma empresa de biotecnologia que nunca comercializou uma vacina, mas que já recebeu US$ 1,6 bilhão em financiamento.

Desde março, Washington investiu cerca de US$ 6,3 bilhões para financiar projetos de vacinas de grandes laboratórios, como Johnson & Johnson, Pfizer e AstraZeneca, e em duas pequenas empresas de biotecnologia, Novavax e Moderna.

A Moderna, fundada em 2010 e sem nenhum produto à venda no mercado, começou nesta segunda-feira a última fase de testes de sua vacina nos Estados Unidos, se tornando uma das quatro companhias no mundo a alcançar esta etapa.

“Nunca uma vacina contra um novo patógeno foi tão rápida”, declarou Trump.

Tudo isso sem contar os bilhões de dólares adicionais para financiar o desenvolvimento de tratamentos para a COVID-19, além da construção de fábricas voltadas para isso e a fabricação de seringas e outros suprimentos médicos.

Trump chama seus esforços contra a COVID-19 de operação “Warp Speed” (um termo proveniente da ficção científica que significa “mais rápido que a velocidade da luz”), e não esconde que seu objetivo é vacinar primeiro os Estados Unidos, longe do pensamento europeu de que a vacina é um “bem público global”.

A operação estabeleceu a meta de ter 300 milhões de doses de vacina até janeiro de 2021. E como não há garantia da eficácia de nenhuma delas, os contratos com três dos desenvolvedores (AstraZeneca, Novavax e Pfizer) já fixaram a entrega prioritária de 500 milhões de doses aos Estados Unidos, segundo anúncios públicos.

“Nunca fizemos isso antes”, declarou Trump. “Lançaremos a produção em massa das candidatas mais promissoras, para que desde o primeiro dia a vacina esteja disponível para os americanos imediatamente”.

“E provavelmente teremos um monte para o resto do mundo”, completou.

– Testes em larga escala –

Washington assinou acordos com os dois projetos ocidentais de vacinas mais avançados (juntamente com os chineses Sinovac e Sinopharm): AstraZeneca (parceiro industrial da Universidade de Oxford, no Reino Unido), que testa seu produto no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul, e a Moderna, que testa nos Estados Unidos.

A Moderna, parceira do National Institutes of Health (NIH), um grupo de instituições públicas americanas focadas em pesquisa médica, administrou nesta segunda sua vacina no primeiro voluntário na fase 3 dos testes. Foi em uma mulher negra chamada Robyn, que explicou por videoconferência não ter sido fácil superar o medo criado pela “experimento Tuskegee”.

Por 40 anos, centenas de afro-americanos com sífilis foram estudados sem tratamento para observar a progressão natural da doença, tudo sem consentimento dos pacientes. Em 1972, a revelação do estudo provocou um escândalo.

Mas “há leis”, explicou Robyn, que lembrou que a COVID-19 atinge desproporcionalmente as comunidades negras e latinas. “Eu queria ajudar”, continuou.

A Moderna e o NIH esperam recrutar 30.000 voluntários nos próximos meses.

Quando os resultados estarão disponíveis?

A expectativa é que, na melhor das hipóteses, os resultados estarão disponíveis em outubro, talvez em novembro, explicou o diretor da Moderna, Stéphane Bancel, à emissora americana CNBC. Isso permitiria um anúncio sobre a vacina antes da eleição.

Contará a favor da pesquisa o aumento da contaminação nos Estados Unidos, que registram mais de 60.000 novos casos diários.

Como metade dos participantes receberá um placebo, quanto mais infectados, maior a probabilidade de a vacina demonstrar sua eficácia na metade dos participantes que a receberem.

A agência americana de medicamentos (FDA) disse que para aprovar uma vacina contra o novo coronavírus os desenvolvedores devem demonstrar que ela é ao menos 50% eficaz em um estudo feito com placebo.

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