Mark Rutte diz que “quer ajudar” países do sul mas insiste nas reformas

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O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, manifestou hoje vontade de “ajudar” os países do sul da Europa, que enfrentam “enormes problemas” devido à crise da covid-19, mas vincou serem necessárias “reformas” para as ajudas europeias avançarem.

“Estamos todos a tentar ver juntos onde isto nos pode levar e como podemos sair de lá, [mas] é complicado. Compreendemos que existem enormes problemas no sul [da Europa] e queremos ajudá-los também, mas queremos que o sul implemente as reformas necessárias”, vincou Mark Rutte, em declarações prestadas antes do terceiro dia da cimeira extraordinária de chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE), em Bruxelas.

Aquele que tem vindo a ser visto como um dos principais bloqueadores de um acordo europeu, o chefe do Governo dos Países Baixos disse aos jornalistas que “a Holanda já não está sozinha” na sua posição, o que classificou como “boa notícia”.

De acordo com Mark Rutte, já existem inclusive “alguns progressos na abordagem da questão das reformas, na medida do possível”.

Porém, o responsável admitiu que os líderes europeus “ainda não estão” perto de uma decisão final nem “têm a certeza” da dimensão final do Fundo de Recuperação, avisando que, “no final, todos devem concordar com a proposta” do Conselho Europeu.

Mark Rutte garantiu, ainda, não ser “a única razão” pela qual líderes como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, abandonaram no sábado à noite o plenário, rejeitando ser o único chefe de Governo a impedir as negociações.

Os líderes europeus estão hoje reunidos, pelo terceiro dia consecutivo, em cimeira em Bruxelas, ainda longe de um compromisso sobre o plano de relançamento europeu, em boa parte devido às resistências dos chamados países ‘frugais’.

Ao cabo de dois dias intensos de negociações, o Conselho Europeu iniciado na sexta-feira de manhã na capital belga ainda não permitiu que os 27 se aproximassem o suficiente para a necessária unanimidade em torno das propostas sobre a mesa, de um orçamento da União para 2021-2027 na ordem dos 1,07 biliões de euros e de um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões para ajudar os Estados-membros a superar a crise provocada pela pandemia da covid-19.

De acordo com diversas fontes europeias, o principal obstáculo a um compromisso continua a ser as exigências dos autodenominados países ‘frugais’, Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca — nalguns casos acompanhados da Finlândia -, pois a esmagadora maioria dos Estados-membros manifestou-se desde o início recetiva à proposta apresentada pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, muito semelhante àquela avançada pela Comissão Europeia em finais de maio.

Embora uma das questões delicadas das negociações pareça bem encaminhada, a da governação do Fundo de Resolução — a Holanda, que era o único país a fazer desta matéria uma ‘bandeira’, já aceita à partida a proposta de um “mecanismo travão” à autorização de pagamentos para casos extraordinários em que haja dúvidas sobre se determinado Estado-membro está a proceder às reformas necessárias –, são ainda muitas as diferenças que subsistem a impedir um acordo a 27.

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