Hospitais de campanha de “alto nível”

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Numa altura em que o número de infectados vem aumentando diariamente, agora de forma assuastadora, sobretudo em Luanda, Angola mostra-se cada vez mais capacitada para contrapor o impacto e letalidade da covid-19, com a implementação de hospitais de campanha a altura dos desafios da pandemia.

São unidades de refência, contruidas ou criadas pela Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Pandemia, com elevados custos, para cuidar de casos positivos da doença, com a maior segurança possível, quer para os pacientes quer para técnicos de saúde.

Com estas infra-estruturas, pretende enfrentar, não apenas a ameaça da covid-19, mas também “criar capacidade para o país não voltar, nunca mais, a ser surpreendido, caso surjam outras epidemias, pandemias e endemias, segundo o Presidente da República, João Lourenço.

Na “qualidade” de epicentro da doença em Angola (desde Março), a capital Luanda absorve o maior número de hospitais especializados para o tratamento do novo coronavírus (mais de 5), em detrimento de outras poucas províncias que detêm um cada, e de muitas não contempladas.

Centro da ZEE

Localizado na Zona Económica Especial (ZEE), no município de Viana (Luanda), esse centro é o maior e o principal do país, erguido numa área de oito mil metros quadrados. Dipõe de nove naves, para mil camas (já tem 500 instaladas), e recebeu os primeiros pacientes a 9 de Junho.

A infra-estrutura sanitária, orçada em mais de mil milhões de Kwanzas, conta com serviços de cuidados intensivos, intermédio e atendimento geral, com médicos e paramédicos, e está preparada para outros eventuais surtos, como a cólera, a febre amarela e o marburg.

O hospital conta com mais de 30 ventiladores e 140 camas para os Cuidados Intensivos, um laboratório de análises, monitores, bombas de perfusão e infusão, máquinas de hemodiálise e para Raio X, Bloco Operatório, área de esterilização, entre outros compartimentos e serviços.

Nele, trabalham cinco equipas com 64 integrantes cada, no regime rotativo, como prova da criação das condições básicas para poder garantir uma assistência médica aos doentes infectados, de Luanda e de outras províncias do país que ainda não beneficiaram dessa estrutura.

Centro da Girassol

Também está situado no município de Viana, propriamente no KM 27, e visitado pelo Presidente da República, esse centro tem uma capacidade de 60 camas inicialmente, numa iniciativa da Sonangol E.P, através da Clinica Girassol, no quadro da sua responsabilidade social empresarial.

Orçou dois mil milhões de kwanzas e tem capacidade para 90 camas, distribuídas por três naves (alas “amarela”, “laranja” e “vermelha”), de 1200 metros quadrados cada e equipadas com meios de última geração. As três naves possuem 30 camas cada e ocupam 3.600 metros quadrados.

A ala amarela ou de quarentena está preparada para receber pacientes positivos assintomáticos. A vermelha é destinada a casos positivos da Covid-19 em estado crítico e sujeitos à ventilação. Conta com 25 ventiladores e serviço de diálise, com capacidade para 20 pacientes.

O acesso às três alas depende do nível de gravidade do paciente, que pode ser leve (ala de cor amarela), moderado (laranja) ou crítico (vermelha). Todas elas possuem um sistema de pressão negativa, que evita que o vírus ou bactérias em ambiente interno migrem para o exterior. 

Unidades de apoio

Para além dessas unidades sanitárias, inauguradas pelo Chefe de Estado, João Lourenço, Luanda socorre-se igualmente sas clínicas “Multiperfil”, “Sagrada Esperança” (Indiama) e “Girassol”, para o tratamento e internamento de caos positivos de covid-19, leves e graves.

Para os assintomáticos, os centros da Barra do Kwanza e do Calumbo encarregam-se dom internamento, respectivamente nos municípios da Quiçama e de Viana, até aqui os mais concorridos. Ambos estão anexados aos respectivos Centros de Quarentenas.

A capital do país tem ainda disponível um centro de tratamento médico da referida pandemia, localizado no Morro Bento, município de Talatona, afecto à Indústria Petrolífera, e com capacidade de hospitalização de 67 pacientes, dos quais 17 nos cuidados pré-intensivos.

A unidade hospitalar, uma iniciativa da Associação das Companhias Exploradoras de Petróleo em Angola (ACEPA), possui um sistema de regulação inovador de aplicação digital, equipamentos médicos de última geração e uma equipa médica de angolanos e expatriados.

Conta ainda com uma zona de descontaminação, recolha de resíduos hospitalares, bem como um laboratório para todo o tipo de testes sobre a doença.

Cuando Cubango

Apesar de não possuir um Hospital de Campanha propriamente dito, dispõe de um centro de tratamento para os doentes acometidos com Covid-19, com  86 camas, sendo 56 na zona verde, 24 na zona amarela e três na zona vermelha.  Tem três ventiladores e dez balas de oxigénio.

Para fazer face à doença, a província recebeu recentemente mil testes rápidos, 100 camas hospitalares e igual número de colchões e poltronas, bem como medicamentos diversos e equipamentos específicos, como botas, luvas, fatos apropriados, viseiras, óculos e termómetros.

Sobre esse assunto, o porta-voz da Comissão Provincial de Combate e Prevenção à Covid19, Mirco Macai, informou que o Cuando Cubango aguarda ainda neste mês, pelo reforço de ventiladores, tendo as condições de alimentação e de pessoal médico acauteladas.

Situado a sudeste de Angola, com 9 municípios e 32 comunas, o Cuando Cubango tem uma população estimada em mais de 600 mil habitantes. Faz fronteira com a Zâmbia, na faixa leste, e com a Namíbia, na faixa sul, países que contam, igualmente, com casos positivos da Covid-19.

Benguela

Esta província do litoral, com alguns casos suspeitos sob análise, conta com dois centros específicos de tratamento da Covid-19, nomeadamente o hospital da Polícia Nacional, no município da Catumbela, e o Hospital Municipal da Baía-Farta, num universo de 140 camas.

A par destas infra-estruturas, conta também com os centros de quarentena institucional do Hotel Ritz, no município de Benguela (com 67 quartos) e Hotel Infotur, município de Benguela (105).

De igual modo, o Parque Nacional da Chimalavera, no município da Baía Farta, com capacidade para 3000 tendas,  Centro da Canjala, município  do Lobito, com algumas dezenas. A província conta também com 17 ventiladores.

Cabinda

Nesta localidade mais ao norte do país, o único Hospital de Campanha para receber e tratar eventuais casos positivos do novo coronavírus (em montagem na aldeia de Chiazi junto ao Estádio Nacional de Chiazi a 13 quilómetros da cidade) já atingiu 95 por cento da sua execução.

A implantação da infra-estrutura iniciou em Junho deste ano, comportando 24 tendas com capacidade para 200 camas, já montadas, as áreas de cuidados intensivos (UTI) e para doentes sintomáticos e assintomáticos da Covid-19.

Foram igualmente já montados, os sistemas de ventilação e outros equipamentos no interior das tendas restando apenas a conclusão da montagem de áreas para o laboratório de análises clínicas e de testes rápidos e para o apoio aos serviços médicos e de logística.

Dentro de dias começam a ser erguidas salas para laboratório, acomodação das equipas técnicas e médicos, de higienização de vestuários dos especialistas, e istalados os quartos de banho para os pacientes e sistema de água canalizada.

Tendo em conta a complexidade geográfica da província e a sua extensa fronteira comum com a RDC e Congo-Brazzaville, países gravemente afectados pela Covid-19, uma outra unidade de campanha vai ser erguida na zona de Lombo-Lombo, arredores da cidade (100 camas).

Zaire

Para esta província também do norte, está em projecção um Hospital de Campanha, no bairro Kitana, na vila piscatória do Nzeto, com capacidade para 80 pacientes. Tratar-se-á de uma estrutura metálca, com dez camas reservadas a cuidados intensivos.

O mesmo está a ser instalado estrategicamente no Nzeto devido a proximidade com Luanda, epicentro da pandemia no país, de acordo com o director do Gabinete provincial da Saúde do Zaire, João Paulo, que não avançou pormenores técnicos sobre a obra.

No futuro, disse, poderão ser instaladas unidades sanitárias do género em alguns municípios fronteiriços da província do Zaire com a República Democrática do Congo (RDC), tendo em conta que, conforme o PR, “a fronteira Norte inspira cuidados redobrados”.

“Com a construção destas e outras infra-estruturas sanitárias, o país estará em condições de fazer face à qualquer epidemia que, infelizmente, a qualquer momento pode surgir”, dissera o Presidente da República aquando da visita ao Hospital de Campanha da ZEE Luanda/Bengo.

Na ocasião, isso no princípio de Junho, João Lourenço, anunciou para, os próximos tempos, uma unidade do género, anexa ao Hospital Psiquiátrico de Luanda.

Falta de camas e mortes

A respeito desse assunto, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, vem desmentindo reiteradamente informações sobre a falta de camas e de condições nos centros de tratamento de Covid-19, afirmando que a capacidade geral disponível está muito acima do número de casos.

“Outros países, como os Estados Unidos da América e europeus, estão a adaptar os estádios e parques de estacionamentos para hospitais de campanhas e ninguém reclama das condições”, comparou, referindo que esses hospitais têm especificidades próprias.

Relativamente a mortes pela doença, manifestou preocupação, esclarecendo, porém, que certos pacientes chegarem às unidades sanitárias em estado crítico, associado a doenças graves (hipertensão, diabetes, câncer, HIV mal controlada e tuberlucose) e outros já mortos.

Aangola registou, até à noite de sábado (dia 14) deparou-se com 49 novos infectados e 11 pacientes recuperados, perfazendo o acumulado geral de 687 casos positivos registados, com 29 óbitos, 210 recuperados e 448 activos, entre angolanos e estrangeiros.

Dos casos activos, 11 requerem cuidados especiais. São cidadãos de Luanda e do Cuanza Norte, que, embora tenha também casos confirmados (17) e esteja parcialmente sob cerca sanitária, não possui até ao momento um Hospital de Campanha para tratamento da covid-19 localmente.

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