G20 criticado por adiar decisão sobre extensão da moratória da dívida

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

As 20 economias mais industrializadas (G20) estão a ser criticadas por várias organizações não-governamentais (ONG) por ter adiado para outubro a decisão sobre a extensão da moratória da dívida, contrariando a expectativa do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.

“Precisávamos de uma ação rápida e concertada, mas em vez disso o G20 andou para trás; os credores privados e multilaterais recusaram-se a suspender os pagamentos da dívida, como foi pedido pelos ministros das Finanças em abril; o G20 permitiu que continuem a ser pagos milhares de milhões de dólares aos credores privados todos os meses, afastando o dinheiro da tarefa urgente de atacar as crises económica e de saúde”, disse a diretora da ONG Comité para o Jubileu da Dívida, Sarah-Jayne Clifton, numa nota enviada à Lusa.

“É crítico que os líderes mundiais se cheguem à frente e garantam um acordo sobre o cancelamento da dívida este ano”, acrescentou.

“Dada a gravidade da situação, esperávamos mais ação por parte do G20”, resumiu o ativista Eric Lecompte, responsável pela ONG Jubileu USA Network, reagindo ao adiamento de uma decisão sobre a extensão da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), anunciada em abril pelo G20 e que dura até final deste ano.

LeCompte disse que apesar da falta de um compromisso para a extensão da moratória, uma das principais expectativas sobre esta reunião do G20, liderado este ano pela Arábia Saudita, um dos aspetos positivos foi a linguagem, que é agora mais dura para com os credores privados.

“O comunicado do G20 diz que os líderes ‘encorajaram fortemente’ os credores privados a juntarem-se à iniciativa da suspensão da dívida, quando em abril apenas ‘apelaram’, e isto é importante porque alguns credores privados têm resistido a juntar-se a este processo de alívio da dívida”, disse o ativista em declarações à agência de informação financeira Bloomberg.

As críticas do ativista juntam-se ao desalento mostrado pelos líderes do Banco Mundial e do FMI sobre a necessidade de medidas concretas para ajudar os países mais vulneráveis a combaterem a pandemia de covid-19 e, ao mesmo tempo, honrarem os seus compromissos financeiros e, com isso, garantiram o acesso ao mercado internacional de dívida para financiar a recuperação e os investimentos nas suas economias.

“A situação nos países em desenvolvimento é cada vez mais desesperante; o tempo é curto, precisamos de tomar medidas rapidamente na suspensão, na redução, nos mecanismos de resolução e na transparência da dívida”, escreveu o presidente do Banco Mundial.

Na comunicação lida na reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais, que decorreu este fim de semana através de videoconferência, David Malpass argumentou que é necessário prolongar a moratória nos pagamentos da dívida oficial bilateral até final de 2021 e alargar o seu âmbito, uma argumentação partilhada com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.

A ONG Oxfam reagiu à decisão do G20 considerando que “a falta de progresso no alívio da dívida tão irresponsável como arrebatadora”, e defendeu que era necessário alargar a moratória até final de 2022 e permitir o acesso aos países de médio rendimento, incluindo as empresas privadas e os bancos de desenvolvimento multilaterais”.

O G20 decidiu hoje adiar para o final do ano a decisão sobre a extensão da moratória sobre a dívida dos países mais vulneráveis à pandemia de covid-19.

“Vamos considerar uma possível extensão da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) na segunda metade de 2020, tomando em consideração o desenvolvimento da situação da pandemia de covid-19 e as conclusões do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) sobre as necessidades de liquidez dos países elegíveis, que serão submetidos ao G20 antes da reunião de outubro”, lê-se no comunicado enviado à Lusa no final da reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais destes países.

O plano atual, anunciado a 15 de abril, prevê que não haja pagamentos a credores oficiais bilaterais até final deste ano, o que deverá permitir a canalização de 14 mil milhões de dólares (12,2 milhões de euros) para combater a pandemia, disse o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, o anfitrião da reunião virtual deste fim de semana.

Até agora, 42 países pediram ajuda, o que evitou o pagamento de 5,3 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) em dívida que teria de ser paga este ano, o que acontece num contexto de recessão económica mundial e aumento da pobreza extrema nos países mais pobres.

No comunicado, os líderes dos países do G20 afirmam estar “determinados a continuar a usar todas as ferramentas disponíveis para salvaguardar as vidas das pessoas, os empregos e os rendimentos, apoiar a recuperação económica global e melhorar a resiliência do sistema financeiro, salvaguardando contra os riscos existentes”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 601 mil mortos e infetou mais de 14,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.