As ambulâncias na linha de frente da luta contra o coronavírus na África do Sul

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“É horrível”, diz Eugene Muller, que, como muitos socorristas de ambulâncias sul-africanos, está na linha de frente da luta contra o coronavírus e viu cadáveres “empilhados” no chão dos hospitais por falta de leitos.

“Meus colegas estão emocionalmente devastados (…) estão literalmente tirando corpos dos leitos para dar espaço a novos pacientes”, explica, assegurando que a situação nos hospitais públicos do país é muito difícil.

A África do Sul é o país do continente mais afetado pela pandemia de COVID-19, com mais de 300.000 casos, incluindo 4.453 mortes.

Na província sul-africana de Cabo Oriental, um dos epicentros da pandemia no país, “os hospitais nem têm espaço para receber pacientes gravemente enfermos”, diz Muller, que trabalha em Port Elizabeth, uma das principais cidades da região.

Os hospitais de Port Elizabeth, com falta de equipamentos devido à corrupção generalizada durante a presidência de Jacob Zuma (2009-2018), estão “sobrecarregados”, segundo a equipe médica.

“Falta pessoal”, diz Eugene Muller, chefe de uma frota de ambulâncias na Gardmed, a principal empresa privada de ambulâncias de Port Elizabeth.

Em vinte anos de carreira, nunca viu hospitais “em tão mau estado”, sem poder atender pacientes.

“Eles não podem entrar, então ficamos sentados com eles em nossas ambulâncias”, conta Dave Gardner, diretor da Gardmed, explicando que, às vezes, é preciso esperar até quatro horas.

– Corpos amontoados –

Thsonono Buyeye, prefeito de Port Elizabeth, capital da indústria automobilística sul-africana, reconhece que os hospitais da cidade “não têm leitos”.

“Estamos tentando encontrar a melhor maneira de lidar com esse problema”, disse à AFP, explicando que o hospital de campanha construído pela Volkswagen às pressas com 1.500 leitos atualmente acomoda “um número muito baixo de pacientes”.

Eugene Muller descreve os corpos “amontoados” no chão em dois hospitais da cidade, especializados em pacientes com COVID-19.

“O público não está informado e não está vendo o que está acontecendo”, diz Muller.

Parentes de pacientes e a imprensa são proibidos de entrar nos hospitais, oficialmente por razões de saúde para evitar mais contaminações.

No call center da Gardmed, o telefone não para de tocar. Em muitos casos, as chamadas são de pacientes desesperados.

Jeanine Jackson, uma paramédica de 35 anos, explica com olhos cansados após uma longa noite de trabalho, que declarou como mortos três pacientes que haviam chamado pouco antes por problemas respiratórios.

“Normalmente, quando chegamos até o paciente, pelo menos podemos ajudar com a ventilação”, diz. “Mas agora não, chegamos e a pessoa já está morta”.

Os necrotérios também têm dificuldade em receber tantos falecidos.

Em Port Elizabeth, na semana passada, estavam “cheios”, reconheceu um porta-voz da Saúde da província, Siyanda Manana. Mas agora o problema está resolvido, garante.

Dave Gardner está preocupado com a saúde mental dos funcionários de sua empresa de ambulâncias, mas também com o futuro de seus negócios.

A empresa só pode receber se os hospitais admitirem os pacientes 15 minutos depois de chegarem às instalações. Um prazo agora impossível de respeitar, para a maioria das viagens de ambulância.

“Acho que não sobreviveremos mais três meses”, diz ele.

Sua empresa, com cerca de vinte ambulâncias, ocupa cerca de metade do parque particular de ambulâncias de Port Elizabeth.

Por seu lado, a administração provincial possui apenas duas ambulâncias e dois ônibus para pacientes com COVID-19.

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