Cortar gasto público muito rápido pode prejudicar recuperação, alerta FMI

Cortar gasto público muito rápido pode prejudicar recuperação, alerta FMI

A dívida pública global vai atingir o máximo histórico em 2020, devido aos esforços dos governos para impedir um colapso da economia em consequência da pandemia de coronavírus, mas o FMI adverte que cortar os gastos públicos muito rápido pode prejudicar a recuperação.

Continuar prestando apoio durante a crise será “fundamental”, disse Vitor Gaspar, diretor do Departamento de Finanças Públicas do FMI, em entrevista à AFP.

“O risco de uma retirada prematura do apoio fiscal é o risco dominante”, ainda mais do que os altos níveis atingidos pela dívida, estimou o economista que afirmou que a recuperação da crise financeira de 2008 foi desacelerada por esse falso passo de os governos.

Gaspar, juntamente com Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertaram em uma publicação no blog da agência nesta sexta-feira que será necessário que os gastos públicos continuem “sendo solidários e flexíveis até que seja garantida uma maneira duradoura de sair da crise”.

A dívida pública alcançará neste ano um máximo histórico, ultrapassando o tamanho da economía global, segundo o FMI. A previsão é de que o déficit dos Estados seja cinco vezes maior do que se estimava para 2020 antes da pandemia.

A crise de saúde e o confinamento para conter um vírus, para o qual não existe vacina, demandaram uma “imensa resposta fiscal”, próxima dos US$ 11 trilhões para ajudar as famílias e impedir a falência de empresas.

“Mas as políticas de resposta contribuíram para que a dívida global alcance o nível máximo na história e supere 100% do PIB global”, destacam os especialistas do FMI.

E ambos alertam: “Ainda não estamos fora de perigo”.

Fonte: AFP

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