ONU denuncia crimes de guerra e possíveis crimes contra humanidade em Idlib

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Inúmeros crimes de guerra, incluindo crimes contra a humanidade, foram cometidos na província de Idlib, a última fortaleza insurgente no noroeste da Síria, sujeita a uma ofensiva do governo de Bashar al-Assad entre o final de 2019 e início de 2020 – aponta um relatório divulgado pela ONU nesta terça-feira (7).

“Crianças foram bombardeadas na escola, pais foram bombardeados no mercado, pacientes foram bombardeados no hospital, e famílias inteiras foram bombardeadas enquanto fugiam”, resumiu o presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, o brasileiro Paulo Pinheiro.

Seu relatório abrange o período de 1º de novembro de 2019 a 30 de abril de 2020 e documenta 52 ataques, com base em quase 300 entrevistas e material fotográfico e de vídeo.

Com o apoio de seu aliado russo, o governo sírio relançou em dezembro de 2019 sua ofensiva contra Idlib, o último reduto nas mãos de grupos rebeldes e jihadistas, antes da entrada em vigor de uma trégua precária patrocinada pela Rússia e pela Turquia a partir de março.

A ofensiva deixou um milhão de deslocados e mais de 500 civis mortos, segundo a ONU.

“Durante esta campanha militar, as forças pró-governo e grupos designados pela ONU como terroristas violaram grosseiramente as leis da guerra e os direitos dos civis sírios”, disse Pinheiro, citado no relatório.

Segundo a Comissão liderada por Pinheiro, entre 1º de novembro e 30 de abril, 25 instalações médicas, 58 escolas e 14 mercados foram bombardeados, na esmagadora maioria dos casos pelas forças pró-governo e seu aliado russo. Ao menos 676 civis morreram.Continua depois da publicidade

Alguns desses “bombardeios indiscriminados”, principalmente em Maaret al-Noomane, na província de Idlib, e em Atarib (oeste de Aleppo), em dezembro e fevereiro, “podem constituir um crime contra a humanidade”, segundo o relatório.

A Comissão também denuncia as atrocidades cometidas pelo principal grupo extremista da região, o Hayat Tahrir al-Sham (HTS), acusado de “saques, detenções, torturas e execuções de civis, incluindo jornalistas”.

O HTS também “bombardeou indiscriminadamente áreas densamente povoadas, semeando terror entre civis que vivem em áreas controladas pelo governo”, aponta o relatório.

“As mulheres, homens e crianças que entrevistamos tinham a opção de serem bombardeados, ou fugirem para áreas controladas pelo HTS, onde os direitos humanos são violados e onde a assistência humanitária é muito limitada”, de acordo com a investigadora Karen Koning AbuZayd.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on email

Designed by nzaylakasesa,lda.