Bispos angolanos da IURD contestatários queixam-se de perseguição pela ala brasileira

Bispos angolanos da IURD contestatários queixam-se de perseguição pela ala brasileira

Bispos angolanos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) acusaram hoje a ala brasileira da instituição de contratar elementos para perseguir os pastores nacionais, uma situação que já foi participada à polícia, disse hoje à agência Lusa o porta-voz do grupo.

Segundo Silva Matias, representante do grupo que rejeita ser classificado como dissidente, reafirmando-se membro da igreja, no domingo alguns pastores foram perseguidos por viaturas em alta velocidade com viaturas, mas “conseguiram escapar”.

“Já demos a participação à polícia, que deu cobertura com um grupo para escoltar”, disse Silva Mateus, porta-voz da ala reformadora da IURD, reiterando que “os pastores que deram início a esse movimento, no dia 22 (de junho) estão a sofrer ameaças por parte da ala brasileira”.

Segundo Silva Matias, as provocações têm estado a vir da ala brasileira, lembrando que os pastores andam desarmados, mas na quinta-feira passada, um grupo de 16 homens armados, sob alegada orientação do bispo brasileiro Honorilton Gonçalves, invadiu uma catedral “para atentar contra a vida dos pastores angolanos”.

“O objetivo era abater um dos pastores para ver se apelam ao Governo para tentar favorecer a eles, mas graças a Deus, nós como temos colocado as questões todas à polícia, temos dado participação, a polícia tem estado a acompanhar, o ato não se consumou”, disse.

O pastor disse que as instalações contam com a proteção não só da polícia, mas também de uma nova empresa de segurança requisitada.

Silva Matias elogiou o trabalho da polícia, realçando o papel das autoridades nas situações em que é solicitada, como a da tentativa de “uma pequena manifestação que a gestão brasileira quis organizar ontem (domingo) na frente (catedral) do Maculusso”, coagindo membros para criar conflitos com os pastores”.

“Sabendo que estamos a viver uma fase que ainda vigora o estado de calamidade e esse tipo de movimentos não são permitidas, acionamos a polícia, e a polícia está a prestar um serviço, uma assistência muito boa, veio de imediato e conseguiu remover as pessoas daqui”, frisou.

“A polícia nesse momento tem dado um suporte fundamental, tem apaziguado, controlado os dois lados, para que as coisas não cheguem ao extremo”, acrescentou.

De acordo com o porta-voz dos pastores angolanos, os bispos brasileiros não se conformam que cerca de 370 dos 430 pastores angolanos fazem parte desre movimento de reforma. Por isso, estão “a querer usar a força e coagindo membros, que, infelizmente, não dominam situações internas da igreja, para vir criar tumulto com os nacionais”.

“Mas nós, sob orientação da polícia, não estamos a chocar com os nossos irmãos angolanos, porque os membros não dominam o que acontece no sistema interno da igreja, nunca a nenhum membro foi justificado como é que as coisas acontecem, os membros só conhecem o trabalho do altar (…), então alguns são manipulados, não dominam a informação que nós dominamos”, sublinhou.

Há 27 anos na igreja, os pastores angolanos dizem ter “engolido” muita coisa, mas que agora chegou ao limite.

A decisão de tomada rápida dos templos, informou Silva Matias, deveu-se ao facto de a gestão brasileira pretender vender os edifícios, construídos com os recursos dos membros angolanos.

“Nós descobrimos, e imediatamente tivemos que tomar essa decisão”, disse, explicando que os bispos brasileiros iriam trazer conterrâneos seus como investidores, para comprarem as catedrais e subalugarem à IURD.

“Nós construímos a igreja com recursos próprios, eles iriam vender e depois alugar aos mesmos compradores, quer dizer nós iriamos manter na instalação, mas íamos pagar renda. Mas se já construímos com o nosso dinheiro para quê esse processo? É uma forma de tirar dinheiro”, referiu.

O pastor lamentou a mensagem que está a circular do fundador da igreja, o brasileiro Edir Macedo, “a amaldiçoar todo os angolanos”.

“Dizer que nós vamos descer à sepultura, vamos morrer, porque nós estamos a tomar a menina de ouro dele, Angola para ele é a galinha dos ovos dourados, de onde sai milhões e milhões”, disse.

A Lusa tem tentado obter uma reação da direção brasileira, mas sem sucesso.

Fonte: Lusa

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