Mil e 928 médicos cubanos trabalham em Angola

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Mil e 928 especialistas cubanos estão inseridos nas unidades sanitárias angolanas, ao abrigo dos acordos de cooperação entre Angola e Cuba.

Distribuídos pelo país, os quadros, entre os quais 258 recém chegados para ajudar na prevenção e no combate à Covid-19, participam em acções de luta contra doenças, em particular a malária.

Os especialistas cubanos acodem também casos de HIV-SIDA, tuberculose, mortalidade materna e infantil, infecções respiratórias, parasitismo, acidentes e outras enfermidades.

Com mais de 40 perfis, promovem também acções de formação de técnicos angolanos, dotando-os de conhecimentos sobre métodos de luta contra as doenças tropicais.

Como resultado dos acordos intergovernamentais de 2008, ajudaram a criar o Programa de Operações Milagrosas, na província de Benguela, com a instalação do Centro Oftalmológico, que conta com 25 profissionais cubanos.

Com o seu trabalho, foram feitas 3.271 intervenções cirúrgicas, em 2019, sendo 1.814 em pacientes com cataratas, 671 em Pterigium, 74 em glaucoma.

Já no Instituto de Oftalmologia de Angola (IONA), trabalham cinco especialistas daquele país da América Central, um dos parceiros estratégicos de Angola, desde os primórdios da independência nacional, sobretudo na componente militar.

O esforço dos oftalmologistas cubanos não se concentrou apenas à assistência e treinamento de especialidades médicas, mas também ao trabalho científico, contribuindo para o desenvolvimento da oftalmologia no país.

Treinamento em ciências da saúde

A abrangência dos serviços de saúde prestados por Cuba permite o fortalecimento da infra-estrutura de saúde, desde a criação, em 2011, de 5 faculdades de medicina, nas províncias de Benguela, Huambo, Malange, Huíla e Cabinda (essas faculdades).

Os 520 profissionais e técnicos de saúde que actuam no Sistema Público de Saúde participam de treinamentos de pós-graduação, em 36 especialidades, um trabalho feito em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto.

O trabalho em causa é feito a partir dos currículos das especialidades aprovadas por esta instituição e liderada pela Direcção do Conselho Nacional de Pós-graduação e Ciências da Saúde do Ministério da Saúde.

Em cada um dos hospitais provinciais liderados pela Direcção Pedagógica, o grupo de professores cubanos ensina o ensino teórico e prático a estagiários de especialidades, em 30 perfis de formação.

Os profissionais de ensino cubanos participam do processo de formação de residentes, conjuntamente com médicos angolanos, com visitas a professores, atenção a emergências médicas e cirúrgicas, salas de terapia intensiva, salas de cirurgia.

Humanização dos serviços

Dados oficiais dão conta da presença de médicos cubanos em 80 unidades sanitárias da Lunda Norte, onde têm contribuído na melhoria da assistência médica e na humanização dos serviços, com realce para a abordagem epidemiológica dos pacientes.

A propósito do serviço desses profissionais, pacientes ouvidos pela Angop, em algumas unidades sanitárias, afirmam que a presença destes profissionais garante confiança, tendo em conta a forma como tratam os utentes em consultas médicas.

Nesta província, localizada no leste de Angola, os médicos foram distribuídos nos 10 municípios, onde, desde Abril, exercem as suas funções.

Enquanto não há registo de casos positivos da COVID-19, os especialistas assistem pacientes com diversas patologias  e estão envolvidos numa campanha de rastreio em massa nas comunidades, para identificar cidadãos com hipertensão,  diabete, doenças respiratórias agudas, tuberculose, entre outras.

Os médicos vão, depois de diagnosticar cidadãos com estas patologias, prestar assistência ao domicílio.

Conforme o director do Gabinete Provincial da Saúde, Gimi Nhunga, estão a ser aproveitados para formar profissionais angolanos, sobretudo em matérias de cuidados intensivos, gestão de pacientes com COVID-19, assistência familiar, estatística.

Médicos em prontidão

O coordenador dos médicos cubanos, Raydel Pedro, realça que os seus compatriotas estão comprometidos com a melhoria da assistência médica, sobretudo na organização do banco de dados de pacientes que acorrem às unidades sanitárias.

Com isso, disse, estão a permitir que os hospitais tenham sob controlo os seus doentes, principalmente com doenças crónicas.

Enaltece, por isso, o apoio do Estado angolano e as condições de trabalho criadas nos hospitais, para facilitar o desempenho dos profissionais daquela ilha do mar do Caribe.

Os médicos cubanos estão um pouco por toda parte, apesar de a capital, Luanda,  absorver o maior número de profissionais, distribuídos em várias especialidades.

Na província de Huila, Maidénia Gonzales Palan, médica formada em medicina familiar, destaca a troca de experiência no ramo da saúde, em que é especializada.

A mesma diz-se disponível para elevar a capacidade técnica e de resposta do sistema de saúde na região, num momento peculiar de Angola, considera essencial unir esforços para a melhoria das condições de atendimento nas comunidades.

A actuação dos médicos cubanos também é um facto nas unidades sanitárias dos municípios de Cacolo, Dala e Muconda, província da Lunda Sul, onde estão a ajudar na redução de transferência de pacientes para a cidade de Saurimo.

Antes da chegada destes profissionais, especialistas em atenção primária, era frequente a evacuação de doentes para Saurimo, devido a ausência desta valência.

Conforme o director do gabinete provincial da Saúde, Viegas de Almeida, recentemente a província recebeu seis médicos cubanos, sendo quatro especialistas em atenção a saúde, um bio-estatístico e igual número de imagiologista.

Com o trabalho destes, reduziram as evacuações de pacientes, de 20 para um por mês.

Os especialistas, além de ajudarem no combate à pandemia da COVID-19 e outras epidemias, prevê formar, a nível da Lunda Sul, 33 médicos clínicos gerais, na área de atenção primária, tão logo minimize o impacto da pandemia no país.

Actualmente, os médicos estão a prestar assistência sanitária às comunidades e a dar treinamento aos técnicos angolanos sobre Covid-19 e gestão de possíveis casos.

Um especialista em imagiologia, colocado no Hospital Geral da Lunda Sul, desloca-se mensalmente ao município do Dala, para realizar exames de ecografia.

De acordo com o chefe da brigada dos médicos na Lunda Sul, Miguel Garite, 20 especialistas garantem a assistência especializada secundária e médico-medicamentosa na região, nas áreas de gino-obstetricia, medicina interna, urologista, ortopedista, pediatria, análises clínica e imagiologia.

Recentemente, começaram a prestar serviços de atenção primária na comunidade, para melhorar a qualidade de vida da população e consequentemente ajudar a reduzir a taxa de mortalidade, por diversas patologias.

Afirma que a experiência de Cuba em termos de combate a pandemias e com outras patologias vai ajudar Angola a melhorar a assistência sanitária da população.

Cuba apoia na educação

Entretanto, além da Saúde, 20 professores cubanos, com os graus de Professor Doutores (PHD) e mestres, leccionam na Escola Superior Politécnica da Lunda Sul, garantindo a formação de novos quadros angolanos.

O responsável da comunidade cubana na Lunda Sul, João Vil, informou que os docentes estão a formar três mil, 906 estudantes  nas áreas de Construção Civil, Metalurgia e Materiais, Electromecânica, Informática, Pedagogia, História, Geografia, Matemática, Ciências Sociais e Humanas, Administração e Gestão e Enfermagem.

No que toca à alfabetização, o responsável diz que colaboram também na implementação do projecto denominado “Sim eu Posso”, que em 2019, permitiu a preparação de 284 grupos bem como a matrícula de seis mil 607 alfabetizandos.  

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