BPC paga 28 milhões de euros para despedir um terço dos trabalhadores até 2022

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O BPC quer encerrar balcões e reduzir cerca de um terço dos trabalhadores nos próximos três anos, prevendo que as indemnizações cheguem aos 18 mil milhões de kwanzas (28 milhões de euros).

O anúncio foi feito hoje pela administração do banco, em conferência de imprensa, e está previsto no plano de reestruturação da instituição financeira estatal.

Segundo o administrador executivo Vitor Cardoso, o BPC conta atualmente com 4.820 trabalhadores e prevê um pacote indemnizatório de 18 mil milhões de kwanzas, de acordo com o que prevê a lei do trabalho angolana, acrescido de um prémio para apoiar a integração dos trabalhadores na vida económica.

No pacote de remuneração serão incluídas “duas facilidades para que o trabalhador dispensado tenha possibilidade de reingresso rápido na vida económica”, disse Vitor Cardoso, adiantando que o banco vai patrocinar ações de formação e fornecer um crédito para que os trabalhadores possam desenvolver uma atividade económica relacionada com essa formação profissional.

O presidente do conselho de administração do BPC, André Lopes, indicou que o processo de redimensionamento contempla também reformas “e até mesmo reformas antecipadas”, estando a ser estudados mecanismos para incentivar que trabalhadores próximos da reforma possam aderir.

André Lopes afirmou que, nos objetivos do Plano de Recapitalização e Reestruturação do BPC, consta tornar a rede comercial do banco mais sustentável “de acordo com aquele que é o seu papel”, reduzir os custos operacionais em 30% e fazer o “outsourcing” de serviços “não core”.

O processo de reajustamento da estrutura comercial prevê o encerramento de, pelo menos, 60 agências, segundo Vítor Cardoso, embora possa haver reajustamentos.

“Estamos a fazer um estudo de viabilidade para saber se determinada agência consegue compatibilizar-se com os seus custos”, complementou André Lopes.

Para contrapor ao encerramento das agências está a ser desenvolvido um projeto de agente bancário “para o banco poder terciarizar” alguns serviços e a implementação de um projeto de banco móvel.

“É algo que pretendemos dinamizar no sentido de assegurar a prestação do serviço onde não existir uma agência permanente que se pode deslocar a determinados locais, em momentos específicos do mês”, adiantou o presidente do BPC.

André Lopes sublinhou que o plano está ajustado às grandes necessidades de recapitalização do banco e adiantou que a atual carteira de crédito apresenta um “nível elevado de incumprimento” que determinou imparidades que deverão ser sanadas “se forem criadas condições para o banco operar no mercado em condições comparáveis com a concorrência”.

Mais de 80% do crédito mal parado pertence a empresas privadas, com destaque para os setores do comércio (29%), prestação de serviços (23%) e construção (19%).

Das medidas do plano fazem também parte a alienação de imóveis e outros ativos patrimoniais de uso não próprio, bem como a otimização das participações financeiras.

André Lopes avançou ainda que o banco, cujo principal acionista é o Ministério das Finanças, pretende liquidar a totalidade da dívida ao Banco Nacional de Angola até ao final do ano.

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