Procedimento é aberto contra procurador-geral suíço suspeito de conluio com Infantino

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Uma comissão parlamentar decidiu nesta quarta-feira abrir um procedimento de destituição contra o procurador-geral suíço Michael Lauber, suspeito de conluio com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, após os dois terem realizado uma série de reuniões informais.

A comissão judicial da Assembleia Federal, por 13 votos a 4, abriu esse procedimento “devido a uma suspeita bem fundamentada de uma violação grave da função de maneira intencional ou por negligência grave”, explicou o presidente da entidade, o deputado Andrea Caroni (PLR, liberal radical, de direita), em uma coletiva de imprensa em Berna, sede do Parlamento.

Se ao final do procedimento a comissão concluir que as suspeitas são confirmadas, a proposta de destituição será encaminhada à Assembleia Federal, que deverá decidir.

Caso contrário, o procedimento será arquivado, informou a comissão em um comunicado.

A audiência, realizada a portas fechadas, uma vez que os debates dos órgãos parlamentares são confidenciais, começou às 11h30 locais (6h30 de Brasília) e terminou pouco depois das 13h30 (8h30).

Lauber saiu da sala com o semblante sério e entrou num veículo, de acordo com um fotógrafo da AFP que estava presente. “Tudo correu muito bem”, se limitou a dizer Lauber.

– Três reuniões –

De acordo com um relatório da Autoridade de Supervisão do Ministério Público (AS-MPC), o alto magistrado suíço de 54 anos, encarregado dos processos relacionados aos escândalos de corrupção na Fifa desde março de 2015 “infringiu vários deveres de função”, informalmente e em três ocasiões, com Infantino, em 2016 e 2017.

“Em várias ocasiões, Lauber não disse a verdade, agiu de maneira desleal, violou o código de conduta do MPC e dificultou a investigação da AS-MPC”, afirmou a autoridade de supervisão.

Além disso, de acordo com a AS-MPC, o procurador-geral “não vê como suas ações são problemáticas e demonstra uma má compreensão de sua profissão”.

Até agora, Lauber foi punido no início de março com uma redução de 8% em seu salário, uma sanção que ele respondeu perante o Tribunal Administrativo Federal.

A Fifa nunca negou os encontros entre Infantino e Lauber, explicando que elas visavam mostrar que a federação internacional, que tem status de denunciante em alguns processos, estava “disposta a colaborar com a justiça suíça”.

Mas o contexto juridicamente nebuloso em que essas reuniões ocorreram levanta a suspeita de um possível conluio entre a Fifa e a Justiça.

No total, mais de vinte processos abertos na Suíça há cinco anos ainda não encontraram uma conclusão.

“Os princípios fundamentais do estado de direito são exagerados”, defendeu-se Lauber, em um recurso dirigido ao tribunal administrativo no final de abril, e revelado no sábado pelos jornais suíços do grupo Tamedia.

O magistrado critica os membros da comissão judicial por terem sido “parciais” contra ele. As repreensões do AS-MPC contêm “conjecturas, especulações e uma constante desconsideração de todos os eventos reais e circunstâncias atenuantes”, se defendeu ele.

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