Infetados em isolamento em hotéis guineenses queixam-se de falta de assistência

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Pessoas infetadas pelo novo coronavírus e colocadas em isolamento em dois hotéis da capital guineense queixaram-se à Lusa de falta de assistência em termos de alimentação e de tratamento médico.

A Lusa contactou com pessoas em isolamento nos dois hotéis e que pediram para não serem citadas, mas que relataram dificuldades por que passam as cerca de 80 pessoas aí colocadas, algumas há mais de 20 dias.

Entre as pessoas colocadas em isolamento encontram-se médicos, enfermeiros, polícias, militares, um funcionário bancário e vários jornalistas.

Para evitar a propagação da infeção, o Governo assumiu a estadia dessas pessoas nos dois hotéis.

Um dos jornalistas em isolamento disse à Lusa que há dois dias que não recebem o pequeno-almoço e para contornar a situação recorrem à comida que guardam do jantar e que aquecem no dia a seguir.

“É esta a situação e quando há o pequeno-almoço só nos dão a partir das 11:00”, confirmou um agente das forças de segurança.

Questionados sobre o motivo desta situação, os técnicos da Saúde Pública diagnosticados com a infeção responderam que estão “na mesma situação” e nada podem fazer, relatou um outro jornalista.

Na outra unidade hoteleira de Bissau, os relatos são quase semelhantes, embora com a ressalva de que a comida “melhorou muito nos últimos dois dias”, disse à Lusa um militar, notando contudo que a muda da roupa da cama ocorre apenas de três em três dias.

Quando questionados sobre o tratamento médico a que estão a ser submetidos, as fontes responderam que cada um trata do chá caseiro que bebe e que até hoje ninguém recebeu qualquer medicamento convencional contra a infeção pela covid-19.

“É como se estivéssemos de férias no hotel. A nossa rotina é comer, dormir, ver televisão e passear dentro do hotel”, afirmou um agente das forças de segurança, sem esconder o cansaço pela situação.

Há mais de uma semana que o pessoal dos dois hotéis se recusa a entrar nos quartos e nas casas do banho para proceder à limpeza, alegando falta de material de proteção, o que faz com que sejam os próprios isolados a tratarem da limpeza dos respetivos aposentos, assinalou um outro jornalista.

“Dia sim, dia não, o pessoal da saúde vem cá para nos medir a temperatura corporal, a glicemia e a tensão arterial, nada mais”, acrescentou um outro jornalista.

Quando questionados sobre se a situação sempre foi assim, os interlocutores da Lusa notaram que “as coisas pioraram” a partir do dia em que o pessoal do Governo, nomeadamente o primeiro-ministro Nuno Nabian e alguns ministros, saiu do isolamento.

Nuno Nabian, alguns membros do seu Governo e altas chefias dos serviços de segurança guineense, que estavam infetados pela covid-19, deixaram um dos hotéis, depois de terem sido declarados curados da infeção.

A Guiné-Bissau registou até hoje mais de 1.000 infeções por covid-19 e seis vítimas mortais. O número de recuperados é superior a 40.

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