Entidades médicas desaconselham cloroquina após Bolsonaro ter aumentado produção

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Três das principais entidades médicas do Brasil desencorajaram hoje o uso de cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19, apesar de o Presidente do país, Jair Bolsonaro, ter ordenado o aumento da produção deste medicamento.

O veto ao uso de cloroquina em doentes com covid-19 foi declarado num comunicado conjunto da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, da Sociedade Brasileira de Infetologia e da Sociedade Brasileira de Pneumologia.

Segundo um relatório elaborado por 27 especialistas destas entidades, as evidências sobre a eficácia da cloroquina e dos seus derivados no tratamento da covid-19 são “baixas” e o medicamento, por outro lado, tem efeitos colaterais graves, como arritmia cardíaca.

Jair Bolsonaro quer que a cloroquina, um medicamento usado para tratar doenças como artrite, lúpus e malária e cujos efeitos em pacientes vítimas da covid-19 estão ainda a ser estudados em diversos países, incluindo no Brasil, seja administrada a todos os infetados pelo novo coronavírus no país, independentemente da gravidade do seu estado clínico

Embora não haja evidências científicas sobre a eficácia deste medicamento, que está a ser testado em vários países para o tratamento do novo coronavírus, Bolsonaro ordenou ao Laboratório do Exército que aumentasse a produção desse fármaco para poder distribuí-lo por todo o país.

O chefe de Estado também pediu ao Ministério da Saúde a publicação de um protocolo para o tratamento da covid-19 que estabeleça a cloroquina como medicamento para o tratamento da doença, mesmo em pacientes sem gravidade e que apresentem os primeiros sintomas.

O protocolo que está em vigor apenas prevê a administração experimental de cloroquina para pacientes em estado grave e que estejam sob monitorização especial, caso seja necessário suspender o tratamento.

Na passada sexta-feira, o agora ex-ministro da Saúde Nelson Teich pediu a renúncia do Governo, menos de um mês após Luiz Henrique Mandetta ter sido exonerado do cargo ministerial, devido a divergências com Bolsonaro em relação às estratégias de combate à covid-19, nomeadamente na administração de cloroquina e na questão do isolamento social.

O oncologista Nelson Teich também divergia de Jair Bolsonaro sobre a indicação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com covid-19.

“As evidências disponíveis não sugerem um benefício clinicamente significativo do tratamento com hidroxicloroquina ou cloroquina. O mesmo se aplica ao uso da combinação de cloroquina com azitromicina”, de acordo com o relatório científico hoje divulgado.

Os especialistas disseram ainda que, se os resultados até ao momento não foram eficazes no tratamento de pacientes gravemente doentes e internados nos cuidados intensivos, então também não há base para recomendá-lo para casos de baixa complexidade.

Bolsonaro é um dos chefes de Estado mais céticos em relação à gravidade da pandemia, chegando a classificar a covid-19 de “gripezinha”, e continuando a insistir nas críticas às medidas de isolamento social adotadas pelos governos regionais para conter a pandemia.

Para o Presidente do Brasil, que está mais preocupado com a paralisação económica do país, a covid-19 “infetará 70% da população mais cedo ou mais tarde” e “matará muitas pessoas”, independentemente das medidas de confinamento adotadas.

Até segunda-feira, o Brasil totalizou 16.792 óbitos e 254.220 casos diagnosticados com covid-19 desde a chegada da pandemia ao país, informou o executivo brasileiro.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 318 mil mortos e infetou mais de 4,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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