Cidade de Benguela celebra 403 anos em confinamento

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Ruas e praias vazias, restaurantes e similares fechados, pessoas “forçadas” a permanecerem trancadas em casa é o cenário que se vive hoje, 17 de Maio, na cidade de Benguela, capital da província homónima, em dia de celebração do 403º aniversário.

A cidade e a gente simpática e acolhedora de Ombaka, cidade fundada em 1617 pelo português Manuel Cerveira Pereira, infelizmente, este ano, não poderão se engalanar e receber de braços abertos os turistas que geralmente, por essa altura, aqui se deslocam para festejar com os nativos e residentes, por culpa da pandemia da covid-19.

As medidas de prevenção da propagação desta terrível doença desaconselham os aglomerados e os festejos típicos das gentes de Benguela por essa altura.

Em função do Estado de Emergência em vigor no país, a administração municipal restringiu os festejos, embora, e já pensando certamente no pós covid-19, renove o apelo “venha conhecer a nossa gente, a nossa cultura, a nossa fantasia. Benguela terra de mar, história, sol, vida e poesia.

O programa de actividades prevê o repovoamento de acácias rubras, símbolo da cidade, uma romagem ao cemitério velho da Camunda e a entrega de um enxoval ao primeiro bebé nascido hoje no Hospital Geral de Benguela. A administradora municipal, Adelta Matias, fará um pronunciamento e interagir com munícipes num espaço da Rádio Benguela, do grupo RNA.

A cidade de Benguela conta actualmente com 561 mil 775 habitantes distribuídos por 74 bairros, 14 aldeias e nove povoações com alguns problemas de seneamento, distribuição de água, energia eléctrica, entre outros.

Neste capítulo, o destaque recai para os novos bairros, como o 11 de Novembro, Viva a Paz, 4 de Abril, Agostinho Neto, 17 de Setembro, onde são gritantes os problemas de falta de saneamento do meio, falta de água canalizada, energia eléctrica, transportes públicos, centros ou postos médicos e de segurança pública.  

Já a parte “velha” clama pela reabilitação de algumas vias e calçadas, recuperação de jardins, instalação ou melhoria da iluminação pública, melhoria do saneamento básico e recuperação de alguns edifícios históricos.   

Segundo a munícipe Ângela Barros, de 63 anos de idade, a celebração desta data causa-lhe muita nostalgia. “Foram-se bons tempos, com a cidade toda limpa, os jardins da cidade bem tratados, estradas sem buracos, os bares e restaurantes, pastelarias e salas de cinema, como o Monumental, sempre lotados, as acácias bem cuidadas e uma praia Morena cheia de vida”, recorda.

Apela aos governantes que olhem mais pelo saneamento da cidade, a iluminação pública, recuperação das estradas e que se procure asfaltar e colocar iluminação, paulatinamente, nalgumas ruas de bairros como a Massangarala, Quioche, São João, Fronteira, Camunda, Cambanda e outros míticos da cidade de Benguela, sem esquecer o largo da peça que merece ser recuperado, na sua opinião.  

Já Manuel Elísio afirma que  falar de Benguela é também falar de cultura, desporto e conhecimento, espalhados pelo mundo por ilustres filhos desta terra.

“Benguela é terra de gente humilde, trabalhadora, dedicada e disciplinada naquilo que faz. Por isso, muitos conquistaram e vão conquistando sucesso nos mais variados domínios. Augusto Barros, Aires de Almeida Santos, Alda Lara, Pepetela, Kiluanje, Akwá, Paulão, Matias Damásio, Leila Lopes, só para citar alguns de uma lista infindável”, referiu.

Na mesma senda, disse que Benguela sempre foi um grande viveiro, senão o maior, a nível do andebol feminino no país. Recordou também o sucesso no futebol de clubes como o Portugal de Benguela (Nacional), Sporting de Benguela e 1º de Maio, que muito “trabalho” davam aos clubes de Luanda e não só.  

Apontou a Sé Catedral, praia Morena, igreja do Pópulo, museu de arqueologia, cines Monumental e Kalunga, largo da Peça, 1º de Maio, do partido, e mercado municipal, como alguns locais que qualquer turista deve visitar em Benguela.   

O município tem actualmente cerca de 200 escolas, entre públicas, privadas e comparticipadas, além de quatro unidades do ensino superior.

Quanto ao sector da Saúde, o município conta com um hospital municipal, com cerca de 80 camas para internamento, serviços pediátricos e beneficia de um hospital regional, um centro oftalmológico de referência a nível nacional, com postos médicos distribuídos pelas diversas zonas e que permitem garantir alguma forma de assistência directa aos cerca de 600 mil habitantes.

Benguela, o aniversariante do dia, ainda enfrenta inúmeros desafios, como a melhoria do saneamento básico, das linhas de água para se ter um sistema urbano a funcionar com redes de águas residuais e fluviais devidamente alinhadas, aumento de unidades de saúde, escolas e postos policiais, sobretudo nos novos bairros que vão surgindo.

A recuperação das ruas secundárias e terciárias, algumas muito degradadas, do sistema de iluminação pública, dos espaços verdes, combate a delinquência, prostituição, criação de postos de trabalho, sobretudo para juventude, revitalização dos sectores agrário, piscatório e industrial, constituem-se noutros grandes desafios do município.

O município de Benguela tem como limites geográficos, a norte o município da Catumbela, a sul da Baía-Farta e Caimbambo, sudeste Bocoio e oeste o oceano atlântico, com 76 bairros e cinco povoações, seis zonas administrativas

Um pouco de história

A partir de 1578, deu-se a fixação portuguesa em Benguela-a-velha, perto da actual cidade de Porto Amboim (província do Cuanza Sul). A fixação portuguesa marcou o início da exploração da região sul de Angola.

Manuel Cerveira Pereira, que foi governador de Angola de 1615 a 1617 por ordem do rei Filipe II, no âmbito da União Ibérica, fundeou na Baía de Santo António no dia 17 de Maio de 1617, sendo esta data considerada como a da fundação da cidade de São Filipe de Benguela, nome em homenagem ao rei, e tornou-se então a sede do Reino de Benguela. Benguela é a segunda cidade mais antiga de Angola, sendo a primeira Luanda.

Cerveira Pereira partiu de Luanda a 11 de Abril de 1617, à frente de uma força de 130 homens e rumou para sul, ao longo da costa, até à Baía das Vacas, que alcançou em 17 de Maio. Aí fundou o Forte de São Filipe de Benguela, núcleo da povoação do mesmo nome que havia de ser a capital do novo domínio português ao sul de Angola, a Capitania de Benguela, administrada autonomamente entre 1617 e 1869.

Em 1641, a cidade foi tomada pelos holandeses e a população teve de se refugiar no interior, a cerca de 200 km do litoral. Sete anos depois, em 1648, Benguela foi libertada. Desde então passou a ser porta de passagem para o interior e a região desenvolveu-se muito. Em 1705 uma esquadra francesa destruiu a cidade quase completamente, mas entre 1710 e 1755 os benguelenses reconstruíram-na. As construções eram rudimentares, sendo a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, a primeira construção de pedra e cal.

A construção do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), levada a cabo pelos ingleses, no início do séc. XX, transformou a cidade de Benguela no motor do desenvolvimento da região centro-sul do país: a sua linha, iniciando-se no porto do Lobito, atravessa Angola, quase na horizontal, até à fronteira com o então Congo Belga, hoje República Democrática do Congo.

Em consequência, surgem cidades no interior do centro de Angola: Ganda, Cubal, Cuma, Longonjo, Lépi, Caala, Bela Vista, hoje Katchiungo, Chinguar, Silva Porto, hoje Kuito, entre outras… e, sem demérito para as restantes, Nova Lisboa, hoje Huambo, que em tempos sonhou ser a capital do país e que, durante a guerra que assolou Angola durante três décadas, foi uma das suas grandes mártires. Benguela passa, assim, a ser chamada de Cidade Mãe de Cidades.

É em Benguela que se dá o pontapé de partida para a radiodifusão em Angola: o Rádio Clube de Benguela é fundado a 18 de Maio de 1939. Nesse mesmo ano é também fundado o Aero Clube de Benguela.

A queda de cotação internacional do sisal mudou o rumo de Benguela. A reconversão da actividade económica foi feita através de uma aposta na pesca. A costa de Benguela é muito rica em recursos piscatórios e o desenvolvimento da actividade pesqueira levou ao crescimento da população residente.

A partir de 1940, povos de outras origens, como os alemães, cabo-verdianos e são-tomenses, fluíram em grande escala para a cidade de Benguela. De 1961 a 2000 Benguela alterou o mosaico sócio cultural consideravelmente.

Ao mesmo tempo que as populações de origem europeia emigravam por causa da guerra, esse mesmo motivo fazia as populações do interior do país migrarem para o litoral.

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