Ministro brasileiro critica uso de “cadáveres para fazer palanque”

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O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, criticou na sexta-feira os políticos que usam “cadáveres para fazer palanque” durante a pandemia de covid-19, acrescentando que a população brasileira irá punir essa prática.

“A reconstrução de um país leva anos. Passamos um ano e meio a tentar reconstruir-nos. Quando estamos a começar a descolar, somos atingidos por uma pandemia. Vamos aproveitar-nos de um momento de maior gravidade, de uma crise de saúde, e vamos subir em cadáveres para fazer palanque? Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do Governo?”, questionou Guedes, numa conferência de imprensa, em Brasília, que assinalou os 500 dias do atual executivo.

“Isso é inaceitável, a população não vai aceitar. A população vai punir quem usar cadáveres como palanque”, acrescentou o governante.

Paulo Guedes lançou as críticas logo após enumerar medidas direcionadas pelo Governo para estados e municípios e, em seguida, voltou a criticar a possibilidade de aumento salarial de funcionários públicos durante a atual crise.

“Na hora que estamos a fazer esse sacrifício, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão. Que usem a desculpa da crise da saúde para saquear o Brasil na hora que ele cai. Nós queremos saber o que podemos fazer de sacrifício pelo Brasil, e não o que o Brasil pode fazer por nós”, reforçou o ministro da Economia, no dia em que o país registou 824 mortos e 15.305 novos casos de covid-19.

Paulo Guedes declarou que não é hora de pedir aumento de salários para polícias ou médicos que “vão às ruas para exercer a sua função”, acrescentando que o Governo não deve “dar medalhas antes da batalha”.

“As medalhas são dadas após a guerra, não antes da guerra. Os nossos heróis não são mercenários. Que história é essa de pedir aumento de salário porque um polícia ou médico vai à rua exercer a sua função?”, questionou o responsável pela pasta da Economia.

Segundo o governante, quem trabalhar em horário alargado durante o combate ao coronavírus já vai receber um pagamento adicional, na forma de horas extras.

“Só vamos pedir uma contribuição, por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transformem um ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido, deixem ele se levantar”, disse Guedes, referindo-se às eleições municipais, agendadas para outubro.

O ministro pediu ainda apoio ao Congresso, a governadores e a prefeitos para manter um eventual veto de reajustes salariais, incluídos no pacote de ajuda financeira a estados e municípios aprovado no início do mês.

Além de Guedes, a conferência de imprensa contou ainda com a presença de outros ministros, como Damares Alves, titular da pasta da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, que afirmou que a ideia inicial daquele encontro era “celebrar” os 500 dias do Governo do Presidente Jair Bolsonaro, mas que a urgência do tema da pandemia mudou a direção das suas declarações.

“Sonhamos com uma grande festa na sede do Governo, em fechar as ruas e celebrar. Os índios a dançar connosco, os ciganos, os quilombolas [descendentes de negros que fugiram da escravidão] vindo para cá para celebrar”, disse a ministra, que espera uma festa “muito maior” na celebração de mil dias de Governo.

Paulo Guedes acabou ainda por afirmar, durante a conferência de imprensa, que a pandemia acabou por ser “uma bênção” para o Brasil, em relação às exportações de matéria prima que o país tem realizado.

“O Brasil é a única economia do mundo que está a aumentar as exportações. (…) Foi uma maldição, mas, curiosamente, no momento em que o meteoro atinge o Brasil com essa pandemia, o que era maldição virou uma bênção. As cadeias produtivas estão rompendo e o Brasil está a vender produtos agrícolas e minérios”, disse o ministro da Economia.

No dia em que o executivo brasileiro assinalou os 500 dias de trabalho, o ministro da Saúde do país, Nelson Teich, pediu a demissão do cargo, menos de um mês após ter assumido a tutela.

Teich tinha assumido o cargo em 17 de abril, após a exoneração do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que discordava de Jair Bolsonaro na condução das medidas de combate ao novo coronavírus.

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou um estudo que medirá a propagação do coronavírus em cidades brasileiras, de forma a criar políticas públicas mais eficientes. Ao todo, 99.750 pessoas de 133 municípios de todas as regiões do país serão submetidas ao teste rápido (sorologia), que deteta se a pessoa já teve a doença.

O país sul-americano já contabilizou 14.817 vítimas mortais e 218.223 casos confirmados da covid-19, sendo que ainda está a ser investigada a eventual relação de 2.300 óbitos com a doença covid-19.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 306 mil mortos e infetou perto de 4,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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