Covid-19: Diabético com maior risco de infecção

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Uma pessoa diabética, sem acompanhamento médico, tem dez vezes mais probabilidade de ser infectada com vírus da covid-19 do que um indivíduo sem diabetes mellitus, alertou quarta-feira (6), em Luanda, a médica endocrinologista Manuela Sandes.

Segundo a também especialista de medicina interna no Hospital Militar de Luanda, o novo coronavírus evolui três vezes mais em doentes com diabetes do que numa pessoa normal, por causa da fragilidade que o vírus encontra no sistema imunológico do diabético, que faz parte do grupo de “alto risco” à covid-19.

Em declarações à imprensa, a margem do espaço interactivo “Conversa sobre a covid-19 no CIAM”, promovido pela Comissão Multissectorial de Combate ao novo coronavírus, a médica afirmou que os estudos feitos até ao momento revelam que 50 por cento de pessoas que morreram por covid-19 no mundo eram diabéticas.

Apesar dessas mortes afectar também maior parte de pessoas idosas, Manuela Sandes considera esses dados estatísticos como um alerta para todos os países, em particular para Angola, por ser uma situação que periga a saúde de muitos cidadãos com diabetes mellitus não controladas.

Perante esse quadro, a médica apela, particularmente, as pessoas diabéticas a consultarem um médico e cumprir com a medicação recomendada, bem como ficar em casa, cumprindo com o isolamento social e com outras medidas de prevenção contra a covid-19.

Definiu diabetes mellitus como um conjunto de doenças com várias causas e caracterizadas pela elevação do nível do açúcar/glicose no sangue (hiperglicemia).

Essa doença, especificou, é classificada em várias tipologias, entre elas destacam-se a diabete do tipo 1 (mais frequente em crianças), tipo 2 (afecta mais pessoas dos 35 a 40 anos de idade) e a diabete gestacional, que afecta as mulheres grávidas.

Esclareceu que essas tipologias de doença são consideradas diabetes mellitus, por possuírem uma característica comum: o aumento constante do açúcar no sangue.

Diabete afecta dois milhões de angolanos

Na ocasião, a também especialista em bioquímica clínica deu a conhecer que pelo menos dois milhões de angolanos, num universo de 30 milhões de pessoas, são considerados diabéticos em Angola, facto que pode afectar a actividade socioeconómica do país, segundo Manuela Sandes.

Baseando-se na taxa de prevalência de diabetes mellitus dos países com as mesmas características genéticas e socioeconómicas de Angola, que varia entre sete a dez por cento da população, a endocrinologista (médica que trata de diabetes mellitus) considera “dramático” e preocupante o número de pessoas afectadas com essa doença no país.

A especialista, que dissertou o tema “Covid-19 e diabetes mellitus”, no espaço interactivo do Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), sustentou que o actual quadro torna-se “dramático” para Angola, por afectar maior parte da faixa etária mais produtiva do país (45 a 65 anos de idade) e provocar muitas complicações aos pacientes.

Justificou que a prevalência das diabetes mellitus em pessoas com idades compreendidas entre 45 a 65 anos reduz a capacidade produtiva do país, provocando um impacto negativo na economia nacional, por afectar cidadãos com maior força de trabalho activa, que contribui no desenvolvimento socioeconómico.

“Um diabético não tratado e sem acompanhamento período do médico torna-se num doente muito complicado, que a qualquer momento pode contrair a cegueira, insuficiência renal ou ser amputado um dos membros do corpo, facto que torna a pessoa ou o trabalhador inactivo”, clarificou.

Acrescentou ainda que o custo do tratamento de um diabético ligeiro, por exemplo, ronda os 60 mil kwanzas/mês, um preço muito alto para a realidade económica dos cidadãos, que devem contar com a subvenção do Estado para sustentar essas despesas.

“O tratamento das diabetee mellitus se não for comparticipado pelo Estado é impossível ser suportado somente pelo paciente, por custar muito caro”, afirmou.

Fez saber que cada endocrinologista recebe em média 40 pacientes com diabetes por semana, um número que considera “assustador”, tendo em conta a complexidade da doença e a existência de poucos médicos formados nessa área.

Referiu que o país regista apenas a existência de 11 médicos formados nessa especialidade, um número insuficiente para responder as preocupações dos pacientes, sendo que maior parte desses especialistas trabalham em clínicas privadas.  

Diante desse cenário, a bioquímica clínica defende a necessidade e urgência da capacitação de médicos de outras especialidades, para responder a demanda dos diabéticos no país.

Por outro lado, apontou a mudança dos hábitos alimentares e do estilo de vida dos angolanos e consequentemente a obesidade como as principais causas das diabetes mellitus do tipo 2, as mais frequentes em Angola.

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