Aplicação moçambicana de autodiagnóstico estreou-se com 22.000 visitas

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A aplicação de autodiagnóstico da covid-19 do Ministério da Saúde de Moçambique (Misau) recebeu 22.000 visitas só no primeiro dia, 08 de abril, e regista desde então uma média de mil visitas por dia, disse à Lusa um dos criadores.

“O número demonstra como as pessoas estavam sedentas” de uma ferramenta que as tranquilizasse e que é, ao mesmo tempo, um aliado na prevenção da pandemia, diz Tiago Borges Coelho, cofundador da UX Information.

A empresa de tecnologias de informação, com sete anos de experiência na criação de “plataformas com impacto social” – sobretudo ao nível do recrutamento profissional e prestação de serviços – criou um questionário ‘sim-não’ no portal do Misau que avalia a probabilidade de cada utilizador estar infetado.

Consoante o grau de risco, são prestadas recomendações e pode ser indicada uma morada e contacto das autoridades de saúde para dar seguimento ao caso.

Passadas três semanas, a ferramenta digital já somava 70.000 visitas de 113 países.

O autodiagnóstico carrega através de qualquer programa que permita navegar na Internet e está disponível diretamente em riscocovid19.misau.gov.mz – dispensa qualquer instalação ou visita a ‘app stores’.

Está igualmente acessível a partir do portal do Misau dedicado à covid-19, em covid19.ins.gov.mz e que é a fonte primária de informação sobre a pandemia em Moçambique, com atualizações diárias.

Trata-se de uma ideia que nasceu de um ‘hackathon’ – termo inglês para designar maratona de programação informática – promovido por empresas tecnológicas moçambicanas para encontrar soluções práticas e inovadoras que ajudem a combater o novo coronavírus (iniciativa acessível em covid19.hack.org.mz).

A grande maioria dos utilizadores do autodiagnóstico digital (86%) são de Moçambique, seguindo-se depois o Brasil, Portugal e África do Sul como principais utilizadores do autodiagnóstico.

A privacidade está assegurada, refere Tiago Borges Coelho: o género e a idade são os únicos dados recolhidos logo no início, aos quais o utilizador pode adicionar a província e o distrito onde se encontra, se o pretender, quando é classificado com risco médio ou alto de infeção.

Essa informação, que pode ser opcionalmente entregue, pode vir a ajudar o Misau “a prever quais os distritos de risco” de infeção da covid-19, acrescenta.

Um dos objetivos de desenvolvimento passa por transportar o autodiagnóstico para a tecnologia USSD, usada em telemóveis mais antigos, através da qual se consultam serviços com códigos (usando as teclas asterisco e cardinal para navegar em menus) transmitidos pela rede móvel, sem Internet.

A sigla é inglesa: Unstructured Supplementary Service Data (USSD), muitas vezes referida como “códigos rápidos”.

A utilização desta tecnologia mais antiga que as ferramentas gráficas da Internet atual tem uma razão de ser.

É que os ‘smartphones’ capazes de navegar na Internet representam uma minoria dos telemóveis usados em Moçambique, refere o cofundador da UX.

Com a pandemia longe de terminada, a UX, em parceria com o Misau, continua a desenvolver o autodiagnóstico, nomeadamente, encontrando novas formas de usar os dados disponíveis.

A empresa está também a analisar as consultas à informação disponibilizada pelo portal do Ministério criado sobre a covid-19 para descobrir os artigos mais procurados e articular respostas de forma adequada.

Tiago Borges Coelho antevê também uma oportunidade para, com base nesta experiência, poder ser criado o mesmo tipo de aplicação “para outras doenças, como a malária ou a tuberculose”, que têm ainda grande incidência em Moçambique.

Moçambique tem um total acumulado de 81 casos, sem registo de mortes, e 21 pessoas recuperadas.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 260 mil mortos e infetou cerca de 3,7 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

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