OIM repatria 11 migrantes etíopes que sobreviveram a tragédia em Moçambique

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Onze migrantes etíopes que sobreviveram num contentor onde morreram 64 cidadãos daquele país em Moçambique, no dia 24 de março, foram repatriados na semana passada, anunciou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Em comunicado enviado à Lusa, a OIM indica que o repatriamento dos 11 jovens migrantes resultou da coordenação entre os governos de Moçambique e da Etiópia e a Iniciativa Conjunta – União Europeia – OIM para a Proteção e Reintegração dos Migrantes no Corno de África.

Ao todo, sobreviveram 14 migrantes, mas três deixaram clandestinamente as instalações para onde tinham sido levados, na província de Tete, centro de Moçambique, e ainda não foram localizados, refere-se na nota.

Após a sua chegada à Etiópia, os 11 migrantes foram colocados em quarentena obrigatória de 14 dias, devido à covid-19, e vão depois ser levados para as zonas de origem, no sul do país.

“Um mês depois de terem escapado à morte, os jovens concordaram que foi um milagre terem sobrevivido. Desde que foram resgatados, a magnitude da sua experiência de risco de vida e da sua perigosa viagem está agora a despertar”, considerou a OIM.

Um dos jovens migrantes relatou à OIM que “toda a viagem foi difícil”. 

“Eu sofri muito. Sofri a tortura dos contrabandistas, caminhei durante dias nas florestas e mal tinha água e comida”, disse.

Segundo o migrante, foram colocados, todos os 78, uns por cima dos outros num espaço que mal podia acomodar 20 pessoas.

“Gritávamos por ar, implorando-lhes [aos transportadores] que abrissem a porta. No último posto de controlo, batemos no contentor, gritando pelas nossas vidas. Foi aí que a polícia nos ouviu”, acrescentou.

As autoridades levaram depois os sobreviventes para um hospital em Tete, onde receberam tratamento médico, devido à desidratação e exaustão.

Quando chegarem ao destino final, na Etiópia, vão receber da OIM apoio económico e psicossocial para se poderem reintegrar nas comunidades.

As autoridades moçambicanas organizaram um enterro coletivo para os 64 migrantes num cemitério municipal.

O motorista e o ajudante do camião, que receberam 35 mil meticais (cerca de 500 euros) para o transporte dos migrantes, foram detidos pela polícia, que continuava a procurar o intermediário que facilitou a entrada clandestina dos etíopes no país.

Aquela agência das Nações Unidas assinala que, anualmente, milhares de etíopes deixam o país e emigram ilegalmente para a África Austral, seguindo a chamada Rota do Sul, que passa pelo Quénia, Tanzânia, Maláui e Moçambique, até chegarem à África do Sul, a economia mais forte do continente.

Pagam aos “contrabandistas” entre 2.500 dólares (2.316 euros) e 6.000 dólares (5.558 euros) sob promessa de viajarem em segurança.